Marilice Costi
ARTETERAPIA * POESIA * CONTOS * CRÔNICAS * PERCEPÇÃO AMBIENTAL * CRIATIVIDADE * CUIDADOS * SOCIALIZAÇÃO * SINGULARIDADE
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22/01/2012
AMIGOS DE SEMPRE
trançam e traçam
novas linhas
em nosso sorriso
Marilice Costi
encontro na casa de Patrícia Cordeiro e Renan Corá
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09/01/2012
um caso perdido...
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Carlos Drummond de Andrade. Deixa que eu conto. São Paulo: Ática, 2003
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29/10/2011
02/09/2011
DOS DESEJOS
Ser digital muito além do polegar
de mão silenciosa a aguardar fuzilamento?
Gritar com a concha das mãos!
Brincadeira com hora certa de acabar?
Voar de calças curtas? Cuidar
para não chorar coqueluche de arquibancada.
Para não arrancar o sorriso da face.
Não cabe despedir-se da infância! Tão bom que é?
E não há respostas a perguntas não feitas.
Porque tudo pode ser poção mágica.
Fôlego contido.
Não jogar a pré-saudade fora.
Ela pode ser cozida em fogo lento?
A vida brinca com a vida
como se não conhecesse a morte.
Transformação impondo migração?
A luz está onde a linguagem se estrutura.
Marilice Costi - julho 2011
* Este poema foi criado após a leitura do livro de poesia: A linha do cerol. As metáforas estão lá. Autor: João Scortecci.
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BATE-BOLA - Marilice Costi
Escritores Brasileiros?
Josué Guimarães, Flávio Gikovate, Marina Colasanti, Sérgio Faracco, Fernando Neubarth.
Saramago, Ítalo Calvino, Dan Brown, Isabel Allende, Garcia Marques.
O Livro?
Ensaio sobre a cegueira.
Livros inesquecíveis?
A Casa dos Espíritos, O visconde partido ao meio, Cidades Invisíveis, Cem anos de solidão.
Meus Pais. Alda Rodriguez Leite. Professores. Quem amei. Meus amigos.
Cores?
Signo?
Gêmeos. Nasci em 10 de junho às 10 horas da manhã. Nevava. Passo Fundo.
Algum bicho que você não gosta?
Aranhas. Escorpiões. Cobras.
Comidas?
Polenta com galinha (Alice), Risoto (Clarinda), Churrasco (filhos), Peixe (irmãs), Filet mignon(Thys), doces (Suzel), la cousine (Maria de Lourdes), salada (Ângela), Queijo, Macarrão, Molho branco, Chocolate, Saladas criativas, Frutas, Sorvete.
Musculação, caminhada, vôlei.
Vinho. Chás.
Cidades?
Porto Alegre, Roma, Paris, Buenos Aires.
O que você admira nas pessoas?
Delicadeza, respeito, pontualidade, cavalheirismo, a luta pela vida.
Uma paixão?
A próxima.
Queixas, gente descuidada, aperto de mão que machuca, bêbado, grude, comida gordurosa, mau humor, perfume adocicado, falta de autoestima, desrespeito, ser preterida por quem amo, irritação, ironia, gente sem caráter, preconceito, de ver publicado o que deveria ter posto no lixo, som alto, agressividade.
O seu maior defeito?
O pensamento rápido. A impulsividade. Trabalhar demais.
Cantores?
Maria Rita, Fito Paez, Andrea Bocelli, Barbra Streisand, Elis Regina, Mireille Matieu, Beatles, Tom Jobin, Zizi Possi, Sara Breitmann.
Atores?
Selton Mello, Paulo Autran, Jack Nicholson, Sean Connery, Abujarama.
Atrizes?
Cher, Meryl Streep, Fernanda Torres, Lília Cabral, Fernanda Montenegro, Sofia Loren.
Homens bonitos?
Trem e avião. Não gosto de dirigir.
Escorregar em casca de banana em frente ao meu prédio. Pensar uma coisa e dizer outra. Ser chique para quem é fútil. Dizer o nome errado à pessoa certa.
Pessoas que marcaram a sua vida?
Carlos Appel, Martha Medeiros, Antonio Holtfeldt, Sandra Fagundes, Osvaldo Pontalti.
Cheiro de café e mesa pronta, a chegada, sopa e vinho tinto no inverno, a primavera em POA, um olhar de tesão, texto revisado, a revista vinda da gráfica, e-mail de cuidadores, colo de mãe, abraço amigo, beijo inesperado, vaga no estacionamento público, ver arte com filhos. Encerrar compras.
Tristeza?
Morte do meu pai. Falência da fábrica. Ter sido demitida em 2004. Máquina pública. Meus filhos na incubadora. Violência. Falta de solidariedade. Gritos. Cobrança afetiva. Morte de amigos. A corrupção.
Jornais?
Coojornal. Pasquim.
Revistas?
O CUIDADOR - Orgulho de Ser.
Escola de Samba?
Mangueira.
Partido Político?
Sou heclética mas tenho meu preferido. Voto na ética. Acredito no poder das pessoas e não nas pessoas com poder. Tenho orgulho por ter votado em uma mulher para Presidente.
Quando descobri a doença mental. Impotência e hospital psiquiátrico. A falta de acolhimento aos deficientes e seus cuidadores. Meus bebês na incubadora. Distâncias.
Religião?
Sou batizada e crismada pela igreja católica. Espiritualista. Respeito religiões. Acredito em energias. Apometria. Fé.
Não. Medo da dor, da dependência, do abandono, da solidão, de perder todos os amigos antes de me ir. De perder filho.
Infância e estudos no Notre Dame em Passo Fundo/RS (até 1969), a maioridade (sic) aos 16 anos, a repressão, a universidade desagregadora e o estresse no trabalho público (até 1995), a autodemissão e o mestrado na UFRGS (2000). Outra Marilice após a especialização em Arteterapia! A realização profissional com a revista O CUIDADOR.
Natal, sempre!
Você acredita em Deus?
Acredito em forças superiores e nas energias das pessoas, dos animais, das plantas, do universo. Sincronismo, sinergias, auras, conecções.
Um sonho?
Viajar sem preocupações. Viajar de navio.
O mundo justo!
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29/08/2011
INFERNO ASTRAL
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23/08/2011
I - COMUNHÃO DE SENTIPENSADORES
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20/08/2011
OS LIVROS SÃO PERIGOSOS! - John Milton, 1644
Trecho retirado de um discurso feito em 1644 por John Milton, autor de Paraíso Perdido, para a Suprema Corte Inglesa. O texto é considerado um dos fundamentos da liberdade de expressão no ocidente .
Vide: Areopagitica, um discurso pela liberdade de imprensa.
Colaboração: Dênia Palmira
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10/08/2011
Há semanas escrevi isto:
Simples a vida. Complicado é suportar o desumano.
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07/07/2011
O QUE CARREGAMOS DE SINGULAR?
Atualmente, ninguém está satisfeito com o que tem. O consumo daquela época era sustentável... mas havia contaminação no solo e no ar... O curtume largava cromo, mas quem sabia que isso era prejudicial na década de cinquenta? Ali foram curtidos os primeiros couros cor de cardeal, verde limão, roxo, amarelo... coisas inventadas pela minha mãe. Que nunca teve salário pelo trabalho social que desempenhou na empresa. Era ela quem mobilizada as pessoas para festas de São João, dia do trabalhador, Natal, Páscoa... As festas na Igreja, sempre com apoio de papai. Quanta salsinha era doada para as festas das freiras, dos padres, do grupo escolar municipal. Um amigo há poucos anos me disse: quanto mais damos, mais ganhamos. Dê!
O mundo mudou. A informática, os planos econômicos, as mudanças sociais. Poucos descendentes de italianos souberam construir e continuar seus negócios acreditando nas filhas. Elas não deviam rir muito porque pareceriam loucas, não deveriam falar muito porque não seriam confiáveis. Daí, melhor escrever, pois o abecedário escorre pela mente... cascata, enxurrada...
As relações, todas, mudaram. Sociais, de trabalho, as familiares. Muita gente nasceu. Naqueles tempos, conseguia-se ajudar os pobres verdadeiramente. Hoje, carregamos a impotência e a culpa pela incapacidade de mudar o mundo. Acreditávamos que éramos capazes. As utopias. O amor livre e independente de convenções sociais e de heranças. Evoluimos em muitas coisas. Mas cansamos de ver a violência, não queremos mais ver, cansamos de esperar mudanças, ainda nos surpreendemos com quem elegemos pelas mentiras que nos passam antes das eleições, somos sobrecarregados de informações, excesso de comunicação. Falta o vazio, o espaço de sentir, o espaço de viver o hoje que escorre entre nossos dedos, mas marca inevitavelmente nosso rosto com rugas que não são mais de expressão. Perdemos muito em humanidade. O medo de chegar perto do outro. O medo de perder a vida, o medo de perder os documentos, a falta de privacidade. Já não molhamos os olhos com a desgraça dos outros, desligamos a televisão, porque não temos mais espaço dentro de nós para acollher tanta dor que jogam em nosso colo. Por isto tudo, o valor da vida, que é única, inquestionavelmente, solitária? Pertencendo a cada um de nós. Somos sós e somos o outro, somos nós e somos o todo. Somos singularidade e somos apenas um número na multidão. Somos. Estamos vivos, por isso posso registrar em um blog o que penso seja a minha verdade. Mas pode não ser. Posso estar contaminada com o entorno. Somos o que vivemos e o entorno nem sempre é sadio. A sociedade adoeceu, mas de dentro dela, nascerá o novo. Que saudade dos meus tempos de dialética!
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02/03/2011
MINHA TERRA NAS ENTRANHAS
não andamos mais
nas mesmas águas
Fios sobrepõem opostos
complexo desmodulado
tecido de afeto ao destecer dores
Não sou mais capaz de viver
movimento que desconstrói
tempo sem metas
porta que não abre-se em frestas
leveza que não acende o caminho
corpos que não incendeiam
e nem se aninham
Luzeiro, facho, candela
estrela sem lúmen
não vivo sem
Um laço de esperança
em linhas a sair do enquadre
na base que me sustenta
a palavra e o papel
Buenos Aires, 16/11/2007
Congresso Sul-Americano de Arteterapia
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09/01/2011
RICOLETA A PQP
no ouvir que exorta o singular do ser?
Lamber carinhos em aromas mergulhados
transforma rejeição no ato de empreender.
A nitroglicerina em fios de telefone,
polaridades em resmungos sem tesão
encanto que acabou, clichê desalinhado,
desnudam um amor, a sentinela em vão.
Você articulava em pronta sedução
no abrir e fechar portas, múltipla explosão!
O estar distante fácil não compôs carinhos
mas mortos escondidos em certeiro chão.
Insanas em você as palavras profanadas
e doces as agruras que sem tino emanou
ao fraturar cristais de vida consagrados
entrecortadas sílabas, um mote vomitou.
Ao esconder meu pranto é num vão
o que vai-se em profusão. Então você
inquieto ser - contínuo e interno pendular
encerra o jogo num tablado e tem razão.
Homem distante num moinho andante,
de pavio feito pra queimar os dedos
em notas tais que mais parecem ser torpedos
em frágeis passos de andarilho, medo amante.
Você a rejuntar e ao dar acabamento
a um tipo cadafalso, frigorífico de trincas.
Desbravador de amor rompido no alongar do voo
compactou no ventre um ser que não habita.
Você foi rendilhado em colorida fita
descortinado ser que perdeu tanto poder
com dor e raiva, falo falha fula pílula
Incapaz de amar e de cumprir natais
ao refazer a vida um descuidar demais
de quem despiu-se escancarando o próprio couro
jogando fora, desvaloriza o que era ouro.
Impaciências em você talvez reverterão
em sabedorias, se não forem munição;
se autoestima não partir de grande esforço
ao preparar o próprio pão, virá desgosto.
Você, um corpo machucado no viver,
compõe entalhes e relevos no criar
é gota a gota a respingar na vertical
na escadaria sem degrau nem patamar.
Você foi louca compreensão ao ser amado.
Um laço ao decompor ardor em raro ninho
rasgou o afeto e ao rastejar não tem sapatos
e ao sangrar será bordô, coalhado, impuro vinho.
Há féretro que aporta de um navio advento?
Guerra sem armas fermentou o tudo? é nada.
No cais ao desfraldar a caravela ao vento
cumpriu um ciclo a mais de abandonado alento.
Bandeira brasileira em corpo embalsamado
tem cores do Rio Grande em meio a lambrequins
envoltos nesse pano, cupins de antepassados
enterraram a dor de um doce amor em mim.
- Ah, metida abelha em noturnos vendavais
tentando remover coturnos e metais!
Bendiga o rumo ao recompor-se em tempos tais
desapareça – é águia – pra que dizer dos ais?
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19/12/2010
Pé no chão e pá de cal
O lago em frente, plácido, a tarde quente, o lanche que sobrou que levaria para jantar com a nova mulher. A paisagem era como a necessidade deles, que a vida tranquilizasse o coração. Ele falou, falou e falou. Tantas intimidades. Sentimentos atuais, a preocupação com o futuro. Novidades vindas daquele senhor de meia idade, que parecia um guri ao sorrir. Ela ouviu, ouviu e ouviu. Entre eles, o sentimento de sempre e inexplicável.
Quase no final da conversa, ele disse que para o homem era suficiente ter em quem escarrar. Mas que o sexo para a mulher era diferente. Ela quis ponderar, mas ele insistiu. Ela pensou, não vale a pena perder tempo com isso.
Na despedida, o abraço foi caloroso, mas descolaram-se rapidamente (seria o medo de tocar interiores?). Foi breve o afastamento e logo um outro abraço, como que a conter aqueles corpos num só. Coisa de segundos. E de novo, o inexplicável.
Nela, a lembrança do perfume que ele tinha entre as pernas e o prazer de esfregar-se como uma gata ao cheirar seus genitais. Adocicadamente seco. O Capim Cheiroso que ele lhe dera há décadas, ali. E nele? Jamais saberia. Passariam quantas décadas para talvez saber?
Nesse dia, ela acreditou no que ele dissera, mais do que em todo o tempo de parceria que haviam tido há muitos meses. O tudo e o nada num ínfimo contato. O antes se esvaindo nos corpos lado a lado sem ponto de fuga na linha do horizonte. Então ela leu nas entrelinhas.
Ele encontrara a sua mulher ideal. Agora tinha onde escarrar.
Marilice Costi - miniconto - 18 dez 2010.
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12/12/2010
DAS ENCRENCAS 2
o masculino. Então, mais homens deveriam ser poetas? A lógica. A filosofia...isto logo aquilo... Seria bom se a vida realmente fosse assim racional. Quando afirmo que talvez devesse ser mais masculina, é disto que falo: da comunicação direta, sem metáforas, sem surpresas. Apenas a frase: não quero mais você. Sem explicações ou delongas. Limpa como "acabou".
A vida é isto? Fulano ama siclano, que ama fulana, que ama beltrano, que gosta de siclano. Todos sozinhos e sem problemas de relacionamento. Vale? A vida tem sentido quando se tem paixão, pode ser por um poste, mas se tem. E quando se pode sentir saudade "de matar" e matá-la.
Ser feliz, é simples. Coisas pequenas e delicadas, momentos intensos, de tempo pouco. Segurança de afeto. Colo. Ganhar é bom. Estimula o dar. Qualquer coisa: um beijo, um olhar, um abraço, uma flor, um pps, um orgasmo. A ordem importa? Sempre primeiro e último, o abraço.
Memórias... Coisas valiosas que dão energia para os momentos de dor. Não é a dor que nos torna fortes, é o sair dela e olhar o que passou. Sentir que sobreviveu a hecatombes. É autoperceber-se forte também ao olhar do outro. Mesmo que não nos sintamos assim.
Amor é coisa grande e perder dói.
Matamos pedaços de nossa vida pensando em um amor que não vingou? Não se morre disso.
Privilégios: lucidez, alimento, casa, afetividade, amigos, criatividade. Tudo vale a pena se a alma não é pequena. - clichê. Tudo vale? Como é bom sentir a alma gorda! De poesia que é a alma da sociedade. Bendita seja ela! A alma. Que seja obesa de alegria! O corpo... o corpo... o corpo... a alma... a alma... a alma... o corpo! Interdependências...
E deixa pra lá! O corpo? Nosso veículo de transporte.
Em e-mails sem voz, sem corpo, sem consistência, se nos entremeios não há entrega, a comunicação é de alto risco. Porque projetar no texto do outro aquilo que sentimos é comum. Muito comum.
Quem não se dá conta, se trumbica.
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08/12/2010
Nietzsche, Barthes e Adelia Prado
Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, eu te amo não quer dizer mais nada'. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma.'
(desconheço o autor)
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06/12/2010
DEPOIS DAS CINZAS
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21/11/2010
CORA CORALINA
O poeta e a poesia (Vintém de cobre)
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16/11/2010
DOS CUIDADORES 1
Mas ela, firme e forte e com desejo de viver, continuou no território do filho, não tão jovem a ter que administrar os cuidadores, talvez tivesse coisas a resgatar ao conviver com a mãe.
Uma das netas lhe deu mais um bisneto, passava da dúzia e ela ali frágil mas muito feliz com a prole.
O cuidar "uns dos outros" era comum naquele grupo. Uns com os outros? Não.
Ser cuidador era muito cansativo.
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29/10/2010
QUE DEMOCRACIA QUEREMOS?
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16/10/2010
IX Congresso Brasileiro de Arteterapia - São Paulo - out 2010
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03/09/2010
25/08/2010
A ARTETERAPIA e A OFICINA DE CRIATIVIDADE (HPSP)
Dar esta sensação foi intencional em um dos últimos ambientes criados no segundo andar da Usina do Gasômetro para comemorar os 50 anos da RBS? O excesso de imagens podia dar náusea, enxaqueca, mal estar. Cinco décadas de vida e história, foi bom relembrar e foi terapêutico resgatar raízes, mas absorver tanta informação requer tempo.
Diferente foi a exposição Tapete VOA-DOR, na Oficina de Criatividade do Núcleo Nise da Silveira do Hospital Psiquiátrico São Pedro, onde 120 tapetes criativos voam dores nos varais, num espaço onde o vento movimenta o sensível. Impossível não se emocionar com
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09/08/2010
JOSÉ SARAMAGO - Sentirei saudades!
"O caos é uma ordem por decifrar."
"Diz a sabedoria popular que nunca se pode ter tudo, e não lhe falta razão, o balanço das vidas humanas joga constantemente sobre o ganho e o perdido, o problema está na impossibilidade, igualmente humana, de nos pormos de acordo sobre os méritos relativos do que se deveria perder e do que se deveria ganhar, por isso o mundo está no estado em que o vemos."
"Maria da Paz também pensa, mas, sendo mulher, portanto mais próxima das coisas elementares e essenciais, recorda a angústia que trazia na alma quando entrou nesta casa, a sua certeza de que se iria daqui vencida e humilhada, e afinal acontecera que em nenhum momento lhe tinha passado pela fantasia, estar na cama com o homem a quem amava, o que mostra quanto tem ainda de aprender esta mulher se ignora que muitas dramáticas discussões dos casais é ali que acabam e se resolvem, não porque os exercícios do sexo sejam a panacéia de todos os males físicos e morais, embora não falte quem assim pense, mas porque, esgotadas as forças dos corpos, os espíritos aproveitam para levantar timidamente o dedo e pedir autorização para entrar, perguntam se lhes permite fazer ouvir as suas razões, e se eles, corpos, estão preparados para lhes dar atenção. É então que o homem diz à mulher, ou a mulher diz ao homem, Que loucos somos, que estúpidos temos sido, e um deles, misericordiosamente, cala a resposta justa que seria. Tu, talvez, eu só tenho estado à sua espera. Ainda que pareça impossível, é este silêncio cheio de palavras não ditas que salva o que se julgava perdido, como uma jangada que avança do nevoeiro a pedir os seus marinheiros, com os seus remos e a sua bússola, a sua vela e a sua arca do pão."
SARAMAGO, José. O homem duplicado. São Paulo: Cia das Letras, 2002.
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07/08/2010
DO PENSAR AMOR E FAMILIA
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A vida familiar é a melhor célula, com seus altos e baixos, a célula social verdadeira. Mesmo, porque resulta do que o amor fecundou. Nada supera o amor, mesmo com as suas incógnitas e suas surpresas. A vida familiar não é um mar de rosas, mas nela ocorre o melhor dos sentimentos que do coração verte até hoje.
As estrelas dessa constelação que me rondam na noite que se espreguiça louca, torce para que o sol apareça logo para poderem dormir, já que o amor passou de ronda, enquanto o sol dormia...
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03/08/2010
O livro de contos TEMPOS FRÁGEIS está no páreo! Confira a partida!
A capa, o que ela imagina é o que é mesmo: vidraça quebrada e sangue na calçada.
http://gauchaodeliteratura.wordpress.com/2010/07/29/jogo-15-%e2%80%93-entre-facas-x-tempos-frageis/
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24/07/2010
PRÊMIO AÇORIANOS - poesia
A autora disponibiliza a maior parte do primeiro capítulo do livro RESSURGIMENTO, clique sobre o título da postagem e abra. Depois, leia em voz alta.
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18/07/2010
RESSURGIMENTO - Prêmio Açorianos 2006
traz RESSURGIMENTO da poetisa e escritora, arquiteta e arteterapeuta Marilice Costi, que também é responsável pela criação gráfica.
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15/06/2010
aprisionados laços
lágrima-enchente
que apaga a chama
do refogado amor
lançadeira a travar mentes
de nova tecitura torre abaixo
linhas remendos sorridentes
em trança salvadora
é drama que é trama
do próprio entender
é enlace que solta
ou laço que enforca?
linha que faz nó
no alinhavo
se alinhar faz nós
*
Marilice Costi
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11/06/2010
NÃO PERCA! Escrita terapêutica: lugar de encontrar - oficina de arteterapia
Local: Rua Santana, 666/504 - Porto Alegre / RS Fácil Acesso -
Investimento: 3 x R $ 250,00 - (R $ 700,00 à vista)
Início: 29 de maio - Sábado (12 Encontros de 3 horas / aula)
Informações
(51) 30287667 - 96542097 - mailto:-sanaarte@sanaarte.com.br
Oficinas de Escrita na Internet (MSN) adicione: mari_costi@hotmail.com
Marilice Costi CV ª Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8937478893624381
aos sábados, pela manhã.
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06/06/2010
DAS POSSIBILIDADES
Estimular novos neurônios e sacudir os que estão adormecidos fazem bem. A memória, a criação, a contação de uma história. No compartilhar com os outros, a possibilidade de mudar o ponto de vista. Reinventar.
Somos o que conseguimos lembrar? O que conseguimos reconstruir apesar de. Porque não são todas as nossas lembranças que são boas. As ruins, se as aproveitarmos, podem nos fazer crescer.
As mudanças, quando as queremos, podem se sustentar em nossas histórias de vida. Mas é preciso coragem para olhá-las, pois só assim poderemos lhes dar um novo lugar. Porque somos capazes de construir novos cenários.
*
Marilice Costi
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20/05/2010
O TEMPO de viver E DE IR
O tempo - entre aquele momento, em que me questionei sobre o que eu estaria fazendo quando aquele bebê fosse um homem, onde eu andaria, o que teria construído, como pensaria e o hoje - parece um fio longo, vez ou outra enosado, que se juntou a outros. Uma voz que encontrou sentido. Um risco no papel: onde a palavra vida ali está inscrita sobre tantas outras. Tantas coisas feitas. Tantas escritas.
Aquele sopro, aquele momento continua em mim... como estarei daqui a outros 22 anos? O que será de minha geografia?
*Marilce Costi
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09/05/2010
I.R.
e eu te comendo com os olhos
entre papéis de imposto de renda
e as minhas rendas
e me rendi na tua pele
em teu corpo língua corpo
em teu aperto peito aberto
ficaste, leão
* Do livro CLICHÊS DOMÉSTICOS, Marilice Costi, Ed.Movimento, 1993.
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08/05/2010
PIANÍSSIMO
Conhece os meus amigos e, quando eles chegam, seu tom é de boas-vindas. Sente que pode ganhar outros colos.
Quando percebe que vou sair, olha-me lânguida, entristece. No meu retorno, é queixosa. Reclama muito. E dissonante, encontra-se afônica de tanto chorar. A saudade. O abandono.
Quando volto de viagem, ela é a própria fêmea ao me receber, esfrega-se. Mal consigo levar a mala pelo corredor porque nos enroscamos uma na outra até meu quarto, onde passamos a brincar com alegria e delicadeza. Ela me cheira desde o pé, parecendo querer saber por quais caminhos andei. Onde mal suporto que me toquem, ela eu permito e gosto. Ela acolhe o meu cansaço em qualquer santo dia. Merece meu colo. Mas não podemos avançar. Dever-se-ia? Tão curta a vida. Suavemente nos deliciaríamos em carícias, lambidas, esfregaços, arrepios, pequenas mordidas, grandes mordidas, tudo sem machucar. Marcas de amor.
Quase gente. Ela deve ser assim por causa do nome.
Marilice Costi - 2009
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30/04/2010
DAR ESPAÇO AO NOVO É ARTETERAPÊUTICO
*
Imagem do Frigorífico Z.D.Costi & Cia. Ltda. - acesso ao escritório - 2000 - arte gráfica Marilice Costi
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24/04/2010
DAS (in)SANAS VOZES
Também afirmou que palavras eram meras palavras, iam e vinham e eu não tinha que dar tanto valor. O esbravejar, o expulsar, o desvalorizar. Iguais ao construir, ao desejar, ao compartilhar, ao dar/ter prazer?
Palavras? respondi, há que ter cuidado com elas, porque contêm também nitroglicerina.
E foi assim que aquele amor terminou: o amor de atilho, o gatilho na voz.
Se meu interior sabia... por que não me contou?
Em tempos de internet, tão simples dizer maravilhas, tão simples deletar afetos, tão simples envolver e abandonar... As distâncias, as conexões instáveis, os cabos de aço que são fios dentais. O esforço em experimentos sem considerações finais. O aberto, o volátil, a fumaça. O medo na incerteza do amar.
Palavras? meu interior, meu ar, meu trabalho, minha sobrevivência, meu alimento. O respeito à construção nos outros e em mim.
Não tenho tempo de vida para guerras.
As verdades, as profundidades. O afeto? O real. O corpo e a alma.
Explosões? só se forem de amor.
Marilice Costi
*
*
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16/04/2010
DOS HOMENS "NÃO ENCRENCA"
Faltam na lista os homens que se bastam, que acham que são capazes de se bastarem. Não existe ninguém capaz de se bastar. O ser humano é coletivo per si. Dar colo e receber colo faz parte da riqueza da vida. Das humanidades.
Há outras encrencas que ela não cita... Os homens que só tem disponibilidade para namorar se não for no final de semana. Desconfie. Eles já estão ocupados com outra.
Os que não são capazes de compartilhar sua dor e de aceitar o cuidado de alguém... (a solidão nem sempre é boa companheira) e que preferem a mesa de um bar a se mostrarem frágeis para uma mulher. Talvez nem saibam se cuidar. Talvez não saibam cuidar de alguém. O bastar-se pode ter a ver com o sentir-se diminuido diante de fracassos. Mas não deveria dar a sensação de menos-valia. Isto é coisa da sociedade doente que vivemos. Que o sucesso e o poder valem mais que os vínculos de afeto. E nem todos os fracasssos são por falta de empenho pessoal.
Homens que trocam sua mulher pela sua mãe? A falta de partilha, a falta de diálogo. A falta de cumplicidade? Ninguém deve competir com a mãe dele. Ela é surreal, está num patamar inalcansável. Por isso, observar como ele se relaciona com ela é fundamental. Ele tem que ter perdoado as falhas que ela cometeu, tem que entendê-la como um ser humano, tem que saber dar limites quando ela invade sua vida, tem que ter uma relação de respeito e de aprendizagem no convívio com ela, ser ponte entre sua mulher e ela, nunca um precipício. Não se importar com coisas miúdas. Ter confiança. Amor de mãe é eterno porque filhos são para sempre. A isso se pode chamar maturidade.
E há outros mais: os que gritam coisas parecendo que atrás de nós, mulheres, há um gigante. E só temos a sombra. Talvez não queiram a nossa sombra. Talvez eles briguem com a nossa sombra. Ou não queiram ver a sua.
Homens que não são encrenca? Pois é, estou indo contra uma matéria que recém saiu na O CUIDADOR. Raízes do cuidado.
Cuidado com o movimento de mostrar sempre os defeitos. Por que não se escreve sobre o valor deles? O dos homens "não encrenca"?
Mea culpa. Prometo escrever sobre isso.
Marilice Costi
Agradeço o artista plástico Dilamar Santos pelo link. Valeu!
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14/04/2010
ARTETERAPIA - cuidando com arte
acesse no YOUTUBE
Solicite informações: eventos@sanaarte.com.br - 51 30287667
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12/04/2010
Oficina para profissionais: O PODER TERAPÊUTICO DA PALAVRA
Publico alvo: arteterapeutas, arteeducadores, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos.
Início: maio - doze encontros. Dia e hora a confirmar.
Reservas mediante inscrição e matrícula: 51 30287667
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13/03/2010
GÊNIO INDOMÁVEL
"Ela peidava dormindo e às vezes ela se acordava. Coisas maravilhosas e boas como esta: é disso que sinto mais falta. As pequenas idiossincrasias que só eu conhecia. Era o que a fazia minha mulher. Ela conhecia todos os meus pecadilhos. Chamam isto de imperfeição. Mas não. São as coisas boas."
"Nós escolhemos quem deixamos entrar nas nossas vidas."
"A questão é se vocês são perfeitos um para o outro. Este é o segredo. Isto é intimidade. Você pode saber muita coisa mas só vai descobrir tentando.”
do filme: Gênio Indomável - Good Will Hunting
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Um desejo? Um cofre? Uma chave?
O corpo de ambos? Sacrário conectado com o próprio interior. As rugas? Marcas de história. Alisar almas. Tanto que o mundo exige de juventude e beleza!
As alegrias mesmo pequenas compartilhar para vibrar em uníssono.
A proteção. O observar e cuidar do outro. Dar confiança. Dificuldades? Os desafios! O aprendizado comum. A segurança que só o amor legítimo é capaz.
Um homem não tem que ser fortaleza o tempo inteiro. Nem a mulher. Viver humanidades para ser útil um ao outro.
A sensação de pertença? Não o exagero, porque viver o tempo todo dentro do outro é adoecedor. Mas o respeito à necessidade singular de território. O espaço afetivo e o físico. Não é simples, mas possível.
Os amigos? A partilha. A vida em comunidade. O apoio quando a solidão ocorrer.
Caráter e ética? Justiça nos julgamentos. A verdade no perdão.
Não magoar propositadamente, cobranças são dolorosas. Falar, explicar, exercitar a paciência, acolher. A complacência com os demais.
O toque? A mão na testa febril. O copo de água na hora da sede. O pão. As mãos dadas ao caminhar pelas calçadas. A mão na coxa. A mão na bunda. A mão na vida.
O olhar futuros? O seguir na mesma direção. Nos momentos de desespero? A escuta, o apoio e a fé para recomeçar.
Para amar, é preciso conhecer valores e defeitos, primeiro em si depois no outro. E estar inteiro dentro da própria casinha, primeiro.
E brincar. Muito. Rir das trapalhadas cotidianas, dos tropeços, das falas insanas.
Os limites respeitados. A franqueza. O diálogo. A voz. A empatia. A alteridade. A comunhão. O colo. Masculino também.
Muita coisa? Para ter a chave de alguém, é preciso sair também de si.
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04/02/2010
SERES-PRESENÇA
rotos tocos feridos
apontam
brotos, sinais, partidas
adubam ao pé do ouvido
com olhar, voz ou escrita
equilibram interiores
e dão colo
amigos repartem pão de vida
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15/01/2010
DO POETAR
filtra-se o ar, move-se o amar
onde o circular humano
move-se como o mar
Ao se fazer poesia
alimenta-se a vida
onde os amores insanos
não devem guardar lugar
Ao se fazer poesia
ergue-se sobre as ruínas
a agonia e a calma
dando alma ao falar
Ao se fazer poesia
pode-se rir ou chorar
há direito a rebolar
ao descobrir novo olhar
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28/11/2009
Seeeentiiiido!
na boca, no ouvido.
O rir sem poder rir.
Nem ir. Nem vir.
Vida em travessuras cotidianas
noturno aproximar sentir
esfregas em coxas insanas
ritmo e parceria, sutis, conter
Volátil volver na noite
tal vinho sem stop aroma.
Contas em alta? a champagne
em lábios enganos do viver
o tempo. Picollo.
Sempre.
Copos a mais ou a menos
água com bolinhas
vazios a preencher
Quartos ao lado, sonos
distantes sonhos devir
porta fechada. Aberta?
desejos sem travessia
As letras. Na arte unem saber.
Caminhada em corpo distante
próxima-mente, se as mentes
transpassadas, trespassadas
almas seguissem em frente.
Cidade alegre do sol
grama e céu, prateado
Guaíba doido que dorme
cúmplice. O nadar ao nada.
O sorriso, a partilha, a mala
cruzados olhares e acesas
as velas na sala em oração
o desejo poderia?
Castanhos no verde - verdes no castanho
Uma valsa de Strauss? Ou rock.
On the rocks.
Escondido prazer solitário. Prokofiev.
Vivaldi? adormeceu no conto de fadas.
O beijo na boca, na boca, na boca?
Sem poder, a mordida no pescoço
foi o gerânio roubado
de trinta anos de perfume
de abraços suspensos em beirados
tal e qual lambrequins
menos falsos, menos falsos
aqueles eram originais?
Sob carvalhos lilases tapetes
há tempo devir?
Sentidos afetos de muito
olhar a mesa posta
o comer-se pelo ar
há sabor?
Erros... O muito envelopado.
Aquela cena. Pena. Desatenta
ela, territórios a conter e a esvaziar
complexa mulher que se quer comum
e ainda ter que ser de Atenas!
Morada prenhe de antenas
e cuidados. A falta de.
O abandono.
Ele envidraçado.
Ela. Na corda bamba.
No proibido sentir,
o ser de si. Em si e por si.
Singular
apenas um.*
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13/10/2009

Marilice Costi mostra a nova etapa de uma escritora que vinha se dedicando à poesia e ao ensaio. A autora reinventa a realidade e vai além das aparências. Expõe, às vezes com real crueza, a inquieta vocação da literatura, que não é a apresentação de soluções, mas um inventário de questionamentos. Várias de suas histórias apresentam personagens em situações-limite.
Há quem acredite numa literatura feminina. Talvez, independente de autor ou da autora, o que há é uma sensibilidade aguda; esta sim pode ter um olhar, um viés, uma percepção peculiar que parece também caracterizar a poesia, as crônicas e, aqui, os seus contos.
Suas histórias revelam-se convincentes, contundentes e permanecem além da leitura. E possuem uma força de verossimilhança que só escritores ligados umbilicalmente à nossa aventura cotidiana parecem atingir. (Fernando Neubarth)
O Prefácio é de Deonisio da Silva e, nas abas, o parecer de Jane Tutikian.
MARILICE COSTI é passofundense. Vive em Porto Alegre desde a década de 70. Arquiteta e urbanista, é Mestre em Arquitetura, Especialista em Arteterapia, escritora e poetisa. Ministra oficinas de escrita desde 1996. Editora e capista de O cuidador (a revista dos cuidadores) e também do livro de contos. Recebeu o Prêmio Açorianos 2006 com Ressurgimento. É autora de: A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares(2001) e Como controlar os lobos?(2002). Mulher, ponto inicial, Clichês domésticos com o selo da Movimento. www.sanaarte.com.br
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21/09/2009
SÍSIFO
montanha que se avoluma
a minha revelia
meu fardo
carrego sementes
sem plantá-las
carrego música
mas todos estão surdos
carrego cores
e não há papel
carrego crias
que não vivem sem mel
sem um conto de reis
sem contos
e um monte de papéis
sou rastros de longa estrada
de gastos coturnos
e permanentes pesadelos noturnos
é cobra e borboleta
é corte e costura
é fogo e terra
outro Everest me chama!
quando serás colina?
carrego pedra e húmus
um mágico torto
o sacro perdido
e noites em claro
de perpétuo labor
entre detritos
o sino não toca
os galos não cantam
e a luz vomita
meu codinome
é retransformado mito
no dia-a-dia
corroídas entranhas
e olhos arregalados
Sísifo nunca dorme
e gasta sapatos
como eu
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28/07/2009
04/06/2009
30/05/2009
É VERO!
Palavras podem ser faróis quando iluminam caminhos de compreender a quem amamos. Por isto a importância daquele emêil do centro do Estado do RS, com a frase: Saudade é um amor que fica!
30/05/2009 - Marilice Costi
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04/05/2009
REGISTRE A PRÓPRIA ALELUIA
Marilice Costi
O prazer nas palavras? Significados. Reconhecer-se ao redesenhar o próprio interior?
A palavra deveria brotar sempre em castelos de areia e de pedra. Um cavar até encontrar fluidez.
Novelos a querer movimento, fios de linha a enovelarem-se e a desatarem nós.
Com o tempo, agarrar o abecedário pelos fios e olhar-se no espelho. Senza paura.
A escrita vira produto? Outra história. Um trabalhão?
Quase sempre as luzes acendem.
*
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29/03/2009
OFICINAS: TRANSGREDIR A ALMA
Se para a comunicação são necessários emissores e receptores, em oficinas é preciso afeto. Não apenas entre as pessoas mas, especialmente, com a língua-mãe: a que nos dá o sentimento de pertencer a uma família, a um grupo social e a um país.
Despejar em uma folha de papel em branco é um ato de coragem. O início. Palavras sem nexo, complexas e sem clareza são comuns. O que o nosso cérebro permite registrar. Sem medo, abrem-se portas para a criação.
Esse fato é maravilhoso e é preciso lhe dar o devido valor. A pulsação, impulso criativo desorganizado, aos poucos, gera ordem mental.
Depois é a costura. Desligar-se da escrita no papel, aquele amado objeto, para mexer, riscar, tirar, colocar, subverter, enriquecer, modificar, melhorar, esclarecer. A limpeza textual apaziguará as emoções desordenadas. É quando mestre e aluno comungam na mesma direção. A escolha do aprendiz e o direito à expressão.
Para o ofício do escrever, é preciso amorosidade, especialmente com as palavras. Entupidoras de nossas mentes, dispostas sem ordem nem dicionário... e remexer no abecedário em busca do não-clichê.
Se ao balbuciarmos as primeiras palavras, estabelecemos o vínculo primevo e mais profundo, como podemos tratar a linguagem de forma dura e técnica, desconsiderando que, naquele movimento labial, houve o registro e início da nossa expressividade? O tesouro, a mente?Uma arca repleta de jóias.
A palavra precisa de colo e de elos. A técnica não pode machucar. Aprender percebendo motivos nas escolhas. Exigir técnica sem delicadeza, pode ocasionar sérios bloqueios nas pessoas. Por isto, ir devagar, descansando a mente ao deixar o texto dormir. Reler tempos depois. E não se exigir demais.
São muitas as pesquisas que vêm provando que o cérebro é reativado a cada estímulo criativo. Escrever, pintar, desenhar, esculpir, costurar, cozinhar, enfeitar um prato, mudar as coisas de lugar, experimentar. Enquanto capazes de se surpreender com vida, teremos saúde.
Regras engessam o processo. Dessa forma, não se voa para o fazer, mas para um “não fazer”. A palavra “não” traz um ranço preconceituoso, podador e autoritário. E isto também tem a ver com a poda que é feita durante a vida: a sociedade a moldar indivíduos.
A coragem de criar é o que possibilita a transgressão. E transgredir é fazer o novo sendo responsável por ele. Não é apenas um ato de revolta. Mas o sair do lugar comum é o que faz a diferença: cavar a liberdade, pois somos frutos de um tempo onde o sensível precisa rasgar espaço para sobreviver.
E cobrar disciplina? Impossível ser escritor sem o prazer de escrever. Quem escreve adquire a própria disciplina porque ama o que faz. Do contrário, é provação.
Morreria se não pudesse escrever? perguntou Rainier Maria Rilke. Se a resposta é afirmativa, és um escritor...Aquele que se enrosca em seu texto como um gato em um novelo. Sobra um "rolo" que lava a alma, palavras escovadas jorram confissão. Escrever penetrando na alma universal e singular, viver as polaridades e as sintetizar. Cúmplice ou narrador onisciente, a técnica se incorpora na tecitura do próprio escrever.
Daí, o voo passa a ser cúmplice dos amigos, dos revisores, dos editores.
Voo de asa delta.
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MUTATIS MUTANTIS
No decorrer dos dias, poderei lavar os textos ou mudarei o curso do rio,
encontrarei porto para a semântica,
versos alinhavarão tempos de ser tudo ou nada.
Bendita informática a permitir reconstruções.
Por isto, o publicado aqui poderá "alegrar" frequentes mutações.
Escrever, reescrever, avaliar, refazer, apagar, modificar, clarear, remover.
Até chegar ao ponto de bala.
O último será melhor, mesmo sentido um primeiro,
mais maduro ser.
Marilice Costi - POA, 15/09/2008
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E VALE A PENA?
Um apenas. Poema de ocaso oco e raso.
Um caso de dor.
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FÊMEA SUL-AMERICANA
que não cala e embala
latino-americana
de mesma memória
de las Madres de Mayo
de filhos, de talhos
revolucionários
vive para o novo
em si, dentro e fora
hospeda na alma
aguerridas mulheres
homens de muitas pátrias
na marca dos dedos
perseguidas Anitas
todas digitais
fortes, carnais
compadecidas
mi sombrero es mi padre
desafiadora boina
o lenço é sangue
empreendedora
um porvir de colos a dar
onde os meninos?
no fundo do poço
vertentes
na teia do criar
sementes
Gaia, barro, argila
corpos a renascer
teto, caverna,matas,
pó de estrada
móvel morada de quimeras
de los defensores de la tierra
de los hombres de nueva mirada
de los espiritos del cielo y del mar,
del mar, de las viñas del amar
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20/02/2009
CONSTRUÇÕES CRIATIVAS 1 - das palavras
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26/07/2008
SEGREDOS TECIDAS PELES
Camada de tinta, superfície das alvenarias, acabamentos pétreos, cerâmicos ou de madeira, detalhes nos rendilhados a emoldurar beirados. Tecido renda, grega, prenda.
O tecido urdido, tramado, trançado, tingido, lavado, alisado, amassado, dobrado, guardado, exposto, escondido, contém cheiros de peles gravados, comprometidos interiores alinhados em funções vitrine ou caverna.
Tecido pele, trama, drama, grama, pijama. Tecido cama e tecido dama, tecido clama prazer e extertor.
Impermeabilização? Tecido sem sentidos. Tecido cortado, rasgado, marcado a fogo, tatuado, costurado, colado em frágil painel. Tecido imagem, gobelein, roupagem, carruagem a conter corpos tecidos demais anormais.
O tecido cobre o que sustenta peso. Indefesa camada nobre, que encobre o imberbe amor que repele alma e que provoca dor. O tecido que muito protege é o mesmo que expõe ferida.
O tecido que amarra, que provoca tara, que escancara amor. O tecido menarca, que no gado fez marca, escrava.
O tecido recebe qualquer carga: a cor monarca, de papa, de cardeais. A cor da fome que tecido tem?
Tecer palavras em tecidos idos e vindos, tempos de registros em livros, cartas, manuscritos, virtuais escritos, passados gritos, tecidos cerebrais. Tecido esconderijo de suores, de clamores, de amálgamas, de umbigos, de enxovais, de pratas polidas, de cristais, de vinhos e de amores.
O tecido está em todos os ais. Está em mantilhas nos mortais. Tecido também mortalha. Cobre o santo e o canalha.
O tecido faz a forma e a deforma. Constrói e desconstrói. Faz vir e ver, faz ir e se perder. Faz renascer. Acompanha o crescer. Enfeita o renascer.
Tecidos necessários, proteção do vir-a-ser, também o são na morte, fim do tecer o próprio tecido tecida vida.
*
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