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14 de jan de 2014

Constatações de luta e luto

encontros raros
amassos nunca amenos
a palavra enriquecida vertigem
o ontem vivo
 
amor Saturno
corpo a mover-se no anel
escondida imagem
de um carpim esquecido
as lembranças na gaveta
o poema, a surpresa, uma foto
a memória num aniversário

e depois o medo do batom na gola
o beijo no portão e o vazio
permanentes

saudade não sem registro
 
no ar que não mais se mistura
o despreparo em total preparo
foi barro - já submetido sexo
que não ganhou o melhor - a polidez

sem mais picada entre virtuais videiras plenas
o enorme carinho perdeu o abraço
uso dele - alegria dela
o desejo de gol, a bandeirada
o fim de uma longa espera

um amor que removeria montanhas
um voo feromônios
no sabor, foi fruta madura
 
eram demônios?
os anjos queriam tanto colher um par!
foi sonho incomum de palavra tanta
agora inútil
 
o amor envelhecido à força e às pressas
sem lastro aos dormentes
sem força pra vingar

a pobreza na coragem de ser
possibilidade
mesmo na dor
o cuidado e o acolhimento
o nada, que pena!
morre sepultado vivo
sem mais querer luto nem luta
nem saudade
 
Marilice Costi

ESCRITA PERCEPTIVA: LUGAR DE ENCONTRAR - últimos dias de inscrição

Oficina de Escrita Terapêutica com Marilice Costi
 



De 25 de janeiro a 22 de março de 2014


 Como coisas simples são capazes de nos fazer descobrir coisas nossas!
 Descubra a importância da palavra em nosso contexto de vida.
Como desenvolver a empatia através da escrita e aprender a valorizar a poesia em si e nos outros.
Descubra a comunicação que inicia com a mãe e se desenvolve do seio materno até a escrita.
A escrita terapêutica. A importância da Literatura: poesia, crônica, conto.
A contação de histórias e como ela desenvolve nosso raciocínio e a criatividade.

PÚBLICO ALVO
Arteterapeutas, terapeutas, assistentes sociais, pedagogas, psicopedagogas, profissionais que buscam autoconhecimento através da escrita, estudantes de áreas afins.


 
PROGRAMA


ü  Autoconhecimento através da escrita.
 
ü  Desbloqueio da escrita e criatividade.


ü  A literatura (poesia, crônica e conto), recursos artísticos e sua relação com a escrita terapêutica.


ü  Leitura e construção textual.


ü  Técnicas arteterapêuticas com a escrita.


ü  Os cuidados arteterapêuticos com o processo criativo da escrita.


 
CRONOGRAMA


MÊS
DIAS
HORÁRIOS / TURNOS
Janeiro
25
Das 9h30s às 12hs (manhã)
Das 14hs às 16h30 (tarde)
Fevereiro
01, 08 (ou 7), 15 
Março
08, 15 e 22
Havendo possibilidade do grupo,
o sábado (manhã e tarde) poderá ser trocado para  sexta à noite e sábado pela manhã.
 
 
FACILITADORA
Marilice Costi

Especialista em Arteterapia, Mestre em Arquitetura, escritora, docente, oficineira, consultora e pesquisadora, especialista em saúde na SES. É Artista plástica, responsável pelo acompanhamento dos depoimentos na revista O CUIDADOR, onde é a editora-chefe, coordenadora editorial e capista.
Trabalhou sempre com estímulo a processos criativos. Desde 1995, utiliza técnicas de desbloqueio da escrita nas oficinas de poesia, prosa ou texto técnico, com o suporte de recursos artísticos.

Autora de diversos artigos publicados em Congressos e dos seguintes livros: Gatilho nas palavras (romance) – SCORTECCI, 2012; Tempos Frágeis (contos) - MOVIMENTO, 2009. Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais(depoimento/psicologia) – AGE, 2002; A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares (arquitetura) – EDIPUCRS, 2000; Poesia: Mulher ponto inicial (1985) e Clichês domésticos (1994), Ressurgimento (Prêmio Açorianos - Poesia 2006).
É membro da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul (ALFRS) e da Associação de Arteterapia do Rio Grande do Sul (AATERGS) – inscr. nº 072/2008.
Organiza e edita livros, faz projetos gráficos e copydesk.  Ministra cursos e palestras com foco no cuidado, quebra de paradigmas, percepção, arteterapia, singularidade, literatura e desbloqueio do processo criativo.


 LOCAL DAS AULAS


Rua Santana, 666 / CJ 504 - Bairro Farroupilha –Porto Alegre/RS.
Fácil acesso de ônibus (próximo à Ipiranga) e lotação (Santana).
Local com ar-condicionado.    
Possibilidade de estacionamento em garagem paga ou estacionamento na rua próximo ao prédio.


 
 CERTIFICAÇÃO


Os alunos com frequência acima de 75% receberão o certificado do Curso. Este também poderá ser utilizado para comprovação acadêmica de horas complementares (para estudantes).


 
 INVESTIMENTO:


Matrícula de R$ 300,00 (em cheque ou dinheiro) + 2 parcelas de R$ 330,00 no cartão de crédito.
À vista: 6% desconto.
 
 

INSCRIÇÕES:
SANA ARTE
Tel.: (51) 3028.7667 - somente à tarde.
E-mail: apoio@ocuidador.com.br

Memórias de Marilice: HISTÓRIAS DE MINHA MÃE


Mãe, o que vou fazer agora? Era muito comum lhe pedir após fazer meus temas escolares. Minha mãe sempre queria que eu dormisse após o almoço, porque, além de ser a hora do silêncio para a sesta de 30 minutos de meu pai, eu, hiperativa, lhe exigia muito e a cansava. Ela sempre criava algo ou me dava alguma tarefa que a auxiliava em seu trabalho de cuidar do lar. No entanto, dormir após o almoço era ter suas histórias e tê-la só para mim, pois seu colo era dividido sempre entre muitos netos e eu. A maioria das histórias, eu não ouvia o final, pois pegava no sono. Elas eram repletas de animais. O casamento dos ratinhos é o que mais lembro. O ratinho Lalau se apaixonou por Marieta e depois de namorarem, casou-se com ela, a mais inteligente e educada de todas as ratinhas do bairro. No dia do casamento, ele vestiu casaca e possuía uma flor na lapela. Marieta estava com um vestido branco de babadinhos, laços de fita, buquês de rosas biscuit (as que tínhamos em nosso jardim) e sapatinhos delicados forrados de cetim. A grinalda e o buquê exalavam perfumes e todos se encantaram quando ela passou pelo corredor da igreja na direção do altar, onde o futuro "maridinho" a esperava. Mamãe descrevia o padre, a roupa, o sacramento e cada um dos convidados com seus presentes. Após a cerimônia, havia festa com todos os animais da floresta, que teriam vindo especialmente para o casório. E ela encantava descrevendo cada um, pois naquele dia ninguém brigava com ninguém. Todos cantaram e dançaram até o amanhecer, quando os noivos então embarcaram em um navio a vapor para a lua de mel no Rio de Janeiro. E eu, aqui, talvez já tivesse adormecido.

Tenho certeza que meu prazer pela contação de histórias e pelos contos de fadas vêm dessas tardes, quando ela, sempre dividida entre tantas pessoas e coisas, era só minha naquela enorme cama acolhedora, onde ela me cedia o seu lugar, nunca o do papai. Eram os momentos em que ninguém me tirava do seu colo.