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12 de abr de 2016

Aos SOBREVIVENTES

Marilice Costi – 12/04/2016 

Quietos?  No miolo do desrespeito impune?
É veste vermelha na criança! É alguém que grita verde-amarelo?
É fogo em acampamentos? É “vamos às armas”?
Não conheço mais o meu país!


Sou clima interno de exceção.
Sou noite em busca eterna de abraços.

Mulheres agredidas porque habemus presidenta?

Não mais Esquadrão da Morte! Não mais corpos desaparecidos.
Não mais mães sem seus filhos. Jamais!

Há violência nas falas no Congresso,
nas relações políticas, na imprensa, no trabalho, na terra! Nas famílias!
Quero um cavaleiro da esperança!
O povo das Diretas.

Onde vai o meu país? Os meus amigos?

O maniqueísmo instaurado em armas recolhidas adentram corpos.
As palavras bipolarizadas na falta de humanidade internautagem.

Há fogo!  Sempre o fogo na inquisição do silêncio
a operar bi-polares ensandecidos na escuridão
A surdina.

E nós? Cuidadores? Há mais vulneráveis sem voz?
Mães. Pais. Avós?

Todos no DOI-CODI entre baratas
choques, abusos, mortes pendurais?

Há desequilíbrio num negro diário de sangue nacional
Um pé de guerra de Corpos enroscados
irmãos entrincheirados
Irmãos que nunca foram irmãos?
Brasileiros terminais?

A onda não engana o saber anticorrupto.
O parlamento não mais irmana.
E somos Mariana.
Somos Alices que desejam Canaã

Ai! Nossas eternas crianças dentro e longe dos sóis.
Enrolados e distantes nós
Não temos vida para ser ceifada!
Não temos voz para calar!  
 *


Pintura em guache e papel couchê brilhante - Marilice Costi