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15 de jun de 2010

aprisionados laços

enlace e trespasse
lágrima-enchente
que apaga a chama
do refogado amor

lançadeira a travar mentes
de nova tecitura torre abaixo
linhas remendos sorridentes
em trança salvadora

é drama que é trama
do próprio entender
é enlace que solta
ou laço que enforca?

linha que faz nó
no alinhavo
se alinhar faz nós
*
Marilice Costi

13 de jun de 2010

FALTA POUCO

mais inchada a cada dia
o diâmetro do útero se amplia

uma esfera que se alonga
que se achata

que romperá



30/08/1987 – Para Guilherme nascido em 08/09/2007

11 de jun de 2010

NÃO PERCA! Escrita terapêutica: lugar de encontrar - oficina de arteterapia


O PODER TERAPÊUTICO DA PALAVRA ESCRITA em relatos de experiência, vivências individuais e em grupo, exercícios e leituras para a compreensão da singularidade, autoconhecimento através de conto, poesia, crônica.
Local: Rua Santana, 666/504 - Porto Alegre / RS Fácil Acesso -
Investimento: 3 x R $ 250,00 - (R $ 700,00 à vista)
Início: 29 de maio - Sábado (12 Encontros - 40 h/aula)
Informações
(51) 30287667 - 96542097 - sanaarte@sanaarte.com.br

Oficinas de Escrita na Internet (MSN) adicione: mari_costi@hotmail.com
Marilice Costi CV ª Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8937478893624381
aos sábados, pela manhã.

10 de jun de 2010

dos contos do vigário (1) - "Palhinha para você" do livro GATILHO NAS PALAVRAS

Ela tinha um conto: O tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem... Os tempos frágeis. Ali... o tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem! Um travalínguas, o trava-afeto. Metáfora daquele amor. A linha divisória na cama de casal. A escala 2 para 1. Territórios. Distância. Impedimento.
O tempo agora seguiria esmaecendo qual pedaço dentro dela? Desconstruir o amigo. Era doloroso apesar das tantas carapaças que ela tinha. O problema era a importância dele naquela história... No cuidar o coração, sucumbir em labirintos distantes, Alzheimer? O medo dele. Iria enterrar todos os amigos e morrer de tiro de marido traído. Deus me livre, dissera ela, eu não suportaria a solidão. Passarinhos, águas, águias, ninhos desfeitos, carros fúnebres. Tudo passa. Mas como viver sem as sábias palavras dos amigos, os nossos sabiás? 
Há terapeutas para pessoas que vivenciaram catástrofes para esquecerem aquilo e sofrerem menos. Amores doentios são catastróficos. Daí que esquecer pode ser bênção. Assim, raspar com escova de aço a memória daquele tempo, era a vontade dela naquele instante de saudade. Passar a borracha nas escritas grafadas em  cores intercaladas, na fonte 56 quando ele gritava, a caixa alta como marcadores (ou seria marcar dores?), a idade e teor  51. Tornar pó o que fora valoroso: os registros.
Mas o que haviam sido mesmo? Ela descobriu-se viciada nos emails dele. Intoxicada em dicionários de um amor bandido. E isto a definhava assim como os desaparecimentos e as esperas. As mulheres, fadadas a esperar. Destino feminino, vício masculino. Ela passava então a criar mais e mais escritas, porque lhe eram sempre lenimento. Como uma alcoólatra das letras, não poderia passar sem frases cutucantes do pensar. O instigar os neurônios ao som da chegada dele em sua caixa de entrada no Outlook. O adolescer e o brincar. Para ambos? Provocações sintéticas, a escrita masculina; enquanto a mulher se esparramava num mar de carinhos e cuidados com as tristezas dele. Pela internet, mandava perfumes pelo ar.
Quem disse que era só de sexo o que falavam? O lúdico, muito mais sedutor. Brincar com as palavras. Querer passar a vara no teu corpo violino, ele escrevera. Mas entre alvenarias, nenhuma travessia. No amor, apenas um.
Me cansas, dissera ele, entre o divertir-se e o irritar-se, sempre um ínfimo tempo. Reclamava do pouco sono dela, que não deveria ficar até tarde no computador, era frio no sul, devia dormir, descansar. E outras tantas coisas miúdas de cuidados entremeadas nas queixas que foram aumentando.
Por causa dele, o in sana mudara a grafia. Antes: ela era saudável por dentro. Depois, demente. De mentes inquietas. Seletas? O cuidador de uma insana.
Viver, o grande exercício de liberdade e contenção. Entre um e outro, o desequilíbrio no traçar caminhos? Novos. De novo. Um continente sobre trilhos? Não mais pendurados nas mesmas videiras, nos plátanos podados, nos flamboyants floridos, e observar com alegria os mesmos lambrequins. A paineira exuberante, dissera, é você. E ela acreditara. Ele nunca a chamara de meu amor, muito menos de minha querida. Agora, a tristeza dela a escorrer pelas linhas das mãos miúdas que seguiam se medicando no decorrer da noite. 

Seguiriam aprendizes de suas estações?
Lembrou do medo dele de ser reconhecido nos escritos dela.

Mas duro mesmo foi quando essa mulher com corpo de menina reconheceu-se personagem dele. Ele, o escritor.


*
Marilice Costi é escritora, arteterapeuta, CEO do Cuidaqui.com . Entre suas publicações, o livro Gatilho nas Palavras, romance, 2012.

6 de jun de 2010

DAS POSSIBILIDADES

Mexer em nossas histórias. Buscar forças para mudar? Temos lá alegrias que dão energia. Raízes que nos sustentam. Sonhos impossíveis, utopias que acreditamos.
Estimular novos neurônios e sacudir os que estão adormecidos fazem bem. A memória, a criação, a contação de uma história. No compartilhar com os outros, a possibilidade de mudar o ponto de vista. Reinventar.
Somos o que conseguimos lembrar? O que conseguimos reconstruir apesar de. Porque não são todas as nossas lembranças que são boas. As ruins, se as aproveitarmos, podem nos fazer crescer.
As mudanças, quando as queremos, podem se sustentar em nossas histórias de vida. Mas é preciso coragem para olhá-las, pois só assim poderemos lhes dar um novo lugar. Porque somos capazes de construir novos cenários.
*
Marilice Costi