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7 de set. de 2015

Memórias de Marilice: DULCE E EU

Dulce me acolheu sempre.  Tínhamos histórias comuns desde o meu batizado. Quando casou com Antonio Frederico Knoll, eu já falava e caminhava, gostava muito de queijo. Contam que eu dizia: “quelo peido”...  Minha frase infantil preferida por eles, que relembravam divertindo-se até seus últimos dias...  

Quando moraram em Passo Fundo, foram muitos os encontros familiares. Ela sempre linda, olhos verdes, nos lábios mais batom num desenho além da borda natural, porque não gostava de tê-los como os de papai, fininhos. Era faceira. Lembro da sua casa na rua Paissandu, onde as travessuras dos gêmeos eram frequentes. Um dia, a curiosa, a pequena Denize pendurou-se em um armário e caiu, seu queixo ficou roxo por muito tempo; em outro, Jorge ficou pendurado pelo pulso em um prego enorme no muro. Acompanhei preocupada os cuidados com a Liliane, quando teve hepatite A. Tudo para que ficasse bem, o medo de perdê-la. Eu, tia, com dois ou três anos a mais apenas, acompanhava tudo o que acontecia com meus sobrinhos, os quais eu era responsável nos passeios, nas idas ao cinema, nas voltas ao redor da praça da “cuia” após a missa das dez. 

Mais tarde, adolescente, quando me casei e engravidei pouco depois, não me lembro de críticas em suas falas mas de uma voz suave de orientação, ensinamentos sobre o casamento. Quando morei em Santa Maria, íamos juntas à feira livre. Descíamos a sua rua levando várias cestas e voltávamos carregadas de frutas e verduras da estação. Nas carteiras, apenas o que podíamos gastar. Nada de sacos plásticos. Embaixo as frutas que não estragariam com o peso dos produtos que ficariam por cima. Enquanto seus filhos estavam na escola, eu ficava com ela. Ensinou-me a ser econômica na cozinha e nas lidas da casa. Era totalmente dedicada ao lar e à família.

Fã de esportes, Dulce vibrava com o futebol. Em frente à tevê branco e preta, na Copa do Mundo de 70 e em todos os grenais ouvidos na Guaíba, ela torcia com o marido. Dulce, gremista. Thé, colorado. E havia sempre pipoca e muita diversão. Ele era uma pessoa de bom humor e solidário. E tinham um cãozinho da raça Pequinês, o Ling-Ling, companheiro de longas caminhadas e que,  em um dia de verão, desapareceria na praia para a tristeza de toda a família.

No apartamento singelo recebiam amigos com frequência. Nunca faltava assunto. E em muitos finais de semana, visitávamos cidades próximas, o carro lotado com tantos! Foi o tempo que vivi mais próximo dos dois. Tempo da ditadura, de discussões contidas a quatro paredes das casas. E tudo era motivo para quererem me proteger. Tinham receio de meus arroubos questionadores! Thé era parceiro de discussões políticas e filosóficas, as preferidas. E sempre respeitava minhas opiniões tantas vezes contrárias às suas. Como Juiz concursado da Brigada Militar, analisava muito antes de julgar. Cuidava dos pequenos detalhes, as pistas certeiras para que fizesse justiça. 

Dulce e Thé economizavam muito para cumprir todas as obrigações familiares, para comprar seu próprio apartamento e construir uma casa singela e acolhedora na praia, lugar de festas com churrasco, música e danças, piadas e gozações deliciosas de ouvir madrugada adentro. Lembro dos olhares dos dois, da cumplicidade e dos cuidados. Os chapéus de ambos enfeitando a parede, sua marca inesquecível na Praia de Atlântida. Suas caminhadas de braços dados. Um cuidando do outro, o receio de se machucarem. Reclamavam das calçadas irregulares, do lixo no caminho. Sempre conscientes e cuidadosos com o meio ambiente.

Hoje, Dia da Independência do Brasil, Dulce faria 82 anos. Eu lhe telefonaria, assim como ela sempre fizera em meus aniversários. Trocaríamos carinhos e algumas lembranças rapidamente, não como outras ligações quando falaríamos muito mais tempo.

Data inesquecível, assim como os aniversários de outros irmãos, um feito de Demétrio e sua primeira esposa, irmã de minha avó Adolfina: 24 de dezembro (Sidney), 1º de maio (Cladis) e hoje, 7 de setembro (Dulce),  todas sempre lembradas por minha mãe, Alice. Dias sempre especiais em minha vida!

Direitos autorais - Marilice Costi em 07/09/2015

8 de ago. de 2015

Apóie os cuidadores na GANHA-GANHA - a sua revista ONLINE!



GANHA você - GANHAM os cuidadores! 



Com seu apoio as 40 edições da revista O Cuidador serão postas ONLINE e possibilitarão o cuidado a quem não tem condições de adquiri-la impressa. 


Vamos juntos promover a qualidade de vida e dar "Orgulho de ser" 
a quem tanto se desgasta, adoece, sente-se abandonado: 
O CUIDADOR.
Escolha agora a sua recompensa
e ampare os cuidadores!


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Nascemos e morreremos sendo cuidados. 
Nas demais etapas da vida, cuidamos. 
Quem cuida sem parar, precisa cuidar-se para não adoecer. 
E foi por isso que surgiu a revista O Cuidador.
Marilice Costi



-  estimula a empatia e o acolhimento, orienta e possibilita a aprendizagem, apóia quem cuida.
-  dá voz a quem não tem voz!
-  foi finalista no Concurso de Economia Criativa no PRÊMIO BRASIL CRIATIVO 2014 em São Paulo, avaliada por empreendedorismo, foco social e criatividade, e a mais votada em redes sociais.
-  tem história: vidas para compartilhar!
não repete matérias nem possui conteúdo pago. Livre de pressões, não estimula o consumismo, mas a sustentabilidade, o conhecimento para cuidar de si e dos outros, e ficar bem.
-  registra através de depoimentos vivos, orientações e informes, arte, literatura, dicas e Arteterapia resultado de 80 meses de trabalho que resultaram em 40 edições.
estimula o autocuidado e dá suporte a grupos através das artes, da literatura, da arteterapia, da orientação de profissionais e experiência de cuidadores, e registrar a sabedoria do cuidado de toda a sociedade.

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Veja abaixo uma parte de nosso trabalho no YOUTUBE:


Marilice Costi – O Cuidador e produção bibliográfica
Inicio da revista O Cuidador
Autocuidado do cuidador http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
Arteterapia e escrita  http://youtube.com/watch?v=fm7ibUFq1to
Capacitação de cuidadores http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
Sobre o trabalho da editora da revista O Cuidador
Conto de Marilice Costi sobre viagem de ônibus https://youtube.com/watch?v=fMbNutSFY1k
Textos para cuidadores cuidarem de si  http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
Cuidados com mães, familiares (http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
Cuidador definição de MC http://youtube.com/watch?v=_kg1Ad6IN-g
Empatia e exaustão do cuidador http://youtube.com/watch?v=2TlO3LzZfaA
Exaustão do cuidador – burn-out http://youtube.com/watch?v=2TlO3LzZfaA
O Cuidador e Contação de Histórias  http://youtube.com/watch?v=_kg1Ad6IN-g
Escolha da Moradia para deficientes mentais http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
O Cuidador e o suicídio familiar https://youtube.com/watch?v=kmFEUQP0iJ0
O Cuidador e bipolaridade http://youtube.com/watch?v=f9bBtIaFdWQ
O Cuidador e a contação de histórias
Processo criativo e a criação da revista O Cuidador
Quem é o cuidador e como é a revista O Cuidador https://youtube.com/watch?v=VCl-e6ADhPg
Residenciais Assistidos http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
Serviços ResidenciaisTerapêuticos
Sofrimento psíquico dos irmãos
Tempos frágeis e a revista O Cuidador e Marilice Costi
Vida após o manicômio http://youtube.com/watch?v=qQ74O2vp6sA
A voz do cuidador e cuidados

Campanha GANHA-GANHA – revista O Cuidador  http://youtu.be/-f7netR5_so

Juntos cuidaremos mais, por isso pedimos sua ajuda. Venha conosco!
Acesse nossa campanha e apóie os cuidadores!
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Conheça a revista O Cuidador nesta entrevista com Marilice Costi


21 de abr. de 2015

Memórias de Marilice - HOMENAGEM A MEU PAI Zeferino Demétrio Costi (22/07/1904 - +21/04/1987)


Meu pai deu adeus ao mundo no dia 21 de abril de 1987, mas despediu-se de mim um dia antes. Esperou que eu chegasse de Porto Alegre, perguntou dos netos, um a um sem esquecer do nome dos três e contei-lhe um tantinho da capital, das árvores na avenida Salgado Filho, da Redenção.
Eu acariciei sua testa, beijei-o e senti o cheiro da sua pele – o que lembro até hoje - peguei sua mão esquálida e, mesmo enjoando devido à minha gravidez, não lhe contei. Ele se desligou assim que olhou para o canto do quarto e disse: Sai Adolorata! Ele não sabia que ela viera buscá-lo e aguardava nossa despedida. Adolorata era minha avó.
Naquela madrugada, a última UTI.
Isso foi há mais de vinte anos.
Um vão eterno se estabeleceu dentro de mim, onde moram até hoje abraçados o meu amor e minha saudade.

Tanto queria ouvi-lo. Tanto queria o seu olhar. A sua ternura. Ouvir seu pedido para que lhe entregasse os chinelos e o cobertor nos dias de frio, quando voltava da fábrica e aguardava a janta.

Papai morreu sem saber que eu gestava mais um homem da família. Mas tenho certeza que se foi sabendo o quanto era amado por todos.

_____

O dia de Tiradentes tem a ver com sua ideologia libertadora. Era um homem de respeito, pela lei, pelos direitos humanos e ensinava através do exemplo. Lutou até o final de sua vida para manter produtos de qualidade no Frigorífico Z.D.Costi e Cia. Ltda. (leia-se sem carboidratos na massa das carnes). Seu projeto de vida sucumbiu em problemas de gestão e sacanagem do governo federal, que destruiu a rede de frigoríficos gaúchos.

O bairro São Cristóvão se desenvolveu a partir da implantação do seu frigorífico na década de 40. É patrono da Escola Municipal do SESI de Passo Fundo. Saiba mais aqui..

Tinha um cuidado enorme com a saúde, com a higiene, com o valor dos alimentos sem aditivos e sem agrotóxicos. Empreendedor, sabia trabalhar no ganha-ganha. O que tanto ensinam hoje nas academias.
Junto com Alice Sana Costi, minha mãe, deixou um legado de pessoas comprometidas com a humanidade. 


  pater-semente-lugar



acolhe ninhos e perdidas pipas

forte raiz que espalha os pés na terra

maduro tronco para o alto, rígido

isola a seca e a fome que enterra


longos os ramos, mesmo quebradiços

braços, desenhos contra o azul do céu

massas folheares ao sabor do vento

quentes abraços com sabor de mel


quando divago no final da tarde

ele é quem vejo em mim no meu cantar:

as mãos cansadas e o regaço imenso


o seu desejo é que o consenso guarde

a paz, a mirra e a luz: intenso advento

unindo a força ao construir lugar


Poema (1992) e pintura  tela com tinta acrílica (2013-2014) de Marilice Costi 







13 de mar. de 2015

Memórias de Marilice: DO CRIAR, DA SUSTENTABILIDADE E DO CUIDADO

Quando menina, eu dizia que não queria ser parecida com minha mãe. E arrematava: Deus me livre! Ela dizia, Mari, veja isso, veja aquilo. E eu a observava rapidamente antes de correr para brincar.
Eu não queria, no futuro, fazer como ela dia e noite. Medir, marcar, cortar, alinhavar, dar um ponto aqui outro lá, desmanchar, refazer. O reaproveitamento das coisas feito com dedicação e empenho. Gostava de se realizar com a peça terminada. Me parecia tempo demais naquela saleta de costura onde ela transformava uma roupa velha de um adulto em algo inovador para um neto.

E também que eu não conseguiria cuidar de pessoas com deficiência. Porque choraria o tempo todo, o que ocorreria ao vê-los desfilar nas passeatas de 7 de setembro. Não sabia o que fazer com a minha empatia. Diferentemente do que vivi este ano: o Carnaval da inclusão da APAE, 50 anos depois.

Eu nem desconfiava que ela, através de suas ações na saleta de costura e fora dos muros da nossa casa, estava a me ensinar o valor do trabalho, da vida, a sustentabilidade, a capacidade de criar. Tudo que faço agora insanamente em meu trabalho textual e no cuidado, tanto com o meio ambiente quanto com as pessoas.

Tudo o que aprendi ao vê-la está dentro de mim. Também trabalho demais como ela tendo prazer com as tarefas encerradas.

Vão-se os amores, ficam as dores e o seu exemplo. Ah, as dores da saudade, minha querida mãe Alice Sana Costi.





24 de fev. de 2015

A revista O Cuidador é finalista no Prêmio Brasil Criativo!

                            
Queridos amigos e apoiadores!

Foi muito importante termos os seus votos, o seu carinho, o seu comprometimento, doando parte de seu tempo para a revista O Cuidador.
É com muita alegria que informamos que como FINALISTA no Prêmio Brasil Criativo, estivemos presente na bela festa no Auditório do Parque Ibirapuera no dia 03 de dezembro de 2014.

Não temos palavras para agradecer!

Marilice Costi
editora-chefe da revista O Cuidador



12 de out. de 2014

LER É PODER!


Os livros são espelhos:neles só se ver o que possuímos dentro.
Cada vez que um livro troca de mãos,
cada vez que alguém passa os olhos sob suas páginas,
seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.
(Carlos Ruiz Zafón - escritor espanhol)


Não foi à toa que os livros foram escondidos ou queimados nos períodos ditatoriais, destruídos quando a Igreja exercia poder paralelo aos impérios. E a destruição de tantos livros durante o Terceiro Reich? 

Quem considera que os livros são como amigos tem noção de como a escrita pode modificar os homens.  Amigos são capazes de nos fazer mudar de opinião.  
 
Ler amplia a consciência, abre portas, possibilita transgressão, o rompimento de paradigmas. Os livros tornam as pessoas mais humanas, porque elas se reconhecem nos outros, desenvolvem a empatia, pois os sentimentos são universais.

Eles exercitam a capacidade de análise e a compreensão da vida. Fazem encontrar caminhos. Esclarecem. Auxiliam nas decisões.

Quem tem conhecimento tem poder.


Marilice Costi - 12 de outubro de 2014
(aguarde um novo encontro comigo em um novo livro!)

5 de abr. de 2014

TATUAGEM - poema de Marilice Costi

nas lembranças de margens encantadas
um banco de acolher almas - um rio
beijo-saudade a compor estuário
é memória de mãos, mente febril

todo mar em curtas horas - é maré
ventos e nimbos, mas tantas estrelas
um caro preparo de um belo tempo

no encurtamento pleno de palavras,
há alegria, o desejo: o estar ali
no tênue aconchego de águas-vivas
se enlaçam apenas carne? todo um mar?

há leitura de páginas ainda virgens
num vir-a-ser prazer em outras mil
noites, histórias ao amor Sultão
no tempo standby, dela, Sherazade

são prenhes de espera - sempre há criança!
as histórias contadas ao ouvido
feliz, no desempacotar carinhos
as pipas, os ceróis, sabiás e pombas 

há pós-entrega a comporem papéis 

em cruz, cada um na luz dos caminhos
na certa que reencarnam sido e feito
os múltiplos em um, o tanto enquanto
em piccolo momento, molto e altri

fênix ao ser piccola mulher é
universo contido e sem cortinas
com ele, leão - vida-enciclopédia

Que pena, há pena? a prensa, a impressora,
o movimento é histórico veloz

na mesa, está pronta a pena molhada?
o corpo aguarda registro de vida?

sabedoria é perpetuar 
corpos eleitos - possível entrega.

Marilice Costi é autora dos livros de poesia: Mulher Ponto Inicial, Clichês Domésticos, Ressurgimento (Prêmio Açorianos 2006) e muitos outros poemas. Ministra Oficinas de poesia desde 1995.

Oficina - Escrita Perceptiva: Lugar de encontrar

Como coisas simples são capazes de nos fazer descobrir coisas nossas!
Descubra a importância da palavra em nosso contexto de vida.
Como desenvolver a empatia através da escrita e aprender a valorizar a poesia em si e nos outros.
Descubra a comunicação que inicia com a mãe e se desenvolve do seio materno até a escrita.
A escrita terapêutica. A importância da Literatura: poesia, crônica, conto.
A contação de histórias: como ela desenvolve nosso raciocínio e  criatividade.
___________________________________________________________________________
PÚBLICO ALVO - Arteterapeutas, terapeutas, assistentes sociais, pedagogas, psicopedagogas, profissionais que buscam autoconhecimento através da escrita, estudantes de áreas afins.
PROGRAMA
Módulo 1
ü  Autoconhecimento através da escrita.
Desbloqueio da escrita e criatividade.
ü  A literatura (poesia, crônica e conto),
recursos artísticos e sua relação com a escrita terapêutica.
Módulo 2
ü  Leitura e construção textual.
ü  Técnicas arteterapêuticas com a escrita.
ü  Os cuidados arteterapêuticos com o processo criativo da escrita.
 
CRONOGRAMA MÊS
TURMAS
duas possibilidades
TURMAS
Módulo 1 - julho
A - Início em 03/07 - término 14/08
nas quintas-feiras
das 18h às 21h30
 
 
TURMA A
 Quintas-feiras
Das 18h30 às 21h
 
TURMA B
Sábados
Das 9h30 às 12h  e
Das 14h30 às 17h
 
Haverá comunicação pela internet,
programa a combinar.
 
B - Início em 05/07 -
término 19/07
aos sábados
Das 9h30 às 12hs (manhã)
Das 13h30 às 17h (tarde)
 Módulo 2 - agosto ou setembro
 a combinar
Marilice Costi - Especialista em Arteterapia, Mestre em Arquitetura, escritora, docente, oficineira, consultora e pesquisadora, especialista em saúde na SES. Artista plástica capista, acompanha depoimentos na revista O CUIDADOR, onde é a editora-chefe e coordenadora editorial. Organiza e edita livros, faz projetos gráficos e copydesk.  Ministra cursos e palestras com foco no cuidado, quebra de paradigmas, empatia, percepção, arteterapia, singularidade, literatura e desbloqueio do processo criativo. Trabalha com estímulo a processos criativos. Desde 1995, utiliza técnicas de desbloqueio da escrita nas suas oficinas de literatura ou arteterapia. Muitos artigos publicados em Congressos e livros. Autora de: Gatilho nas palavras (ficção), 2012; Tempos Frágeis (contos)2009, Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais(depoimento/psicologia)2002, A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares (arquitetura), 2000; Poesia: Mulher ponto inicial (1985) e Clichês domésticos (1994). Ressurgimento (Prêmio Açorianos - Poesia 2006).  Membro da Academia Literária Feminina do RS (ALFRS) e da Associação de Arteterapia do Rio Grande do Sul (AATERGS), inscr. nº 072/2008.
 
LOCAL DAS AULAS - Rua Santana, 666 / 504 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre/RS. Fácil acesso de ônibus (próximo à Ipiranga) e lotação (Santana). Local com ar-condicionado. Possibilidade de estacionamento em garagem paga ou estacionamento na rua próximo ao prédio.
CERTIFICAÇÃO - Alunos com frequência acima de 75% recebem certificado. Este também poderá ser utilizado para comprovação acadêmica de horas complementares (para estudantes).
Carga Horária Total: 50h/aula
INVESTIMENTO -  Mód.1 ou 2: matr. R$ 270,00 + 1 x Cr$280,00 - Módulo 1 e 2: R$ 540,00 - 
 À vista e inscrições até 30/06  c/desconto. (aceita-se parcelamento no cartão de crédito sem desconto).
INSCRIÇÕES: SANAARTE - Tel.: (51) 3028.7667 - à tarde - 96542097
E-mail: apoio@ocuidador.com.br – vagas reduzidas

2 de fev. de 2014

Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista escritora Marilice Costi – Porto Alegre/RS

MARILICE COSTI é Especialista em Arteterapia, Mestre em Arquitetura, é também escritora, arquiteta e urbanista, docente, oficineira, consultora e pesquisadora. Artista plástica, editora-chefe e capista da revista O CUIDADOR, trabalhou sempre com estímulo a processos criativos. Desde 1995, utiliza técnicas de desbloqueio da escrita nas oficinas de poesia, prosa ou texto técnico, com o suporte de recursos artísticos. Autora de diversos artigos publicados em Congressos e dos seguintes livros: Gatilho nas palavras (romance); Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais; A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares; Poesia: Clichês domésticos, Mulher ponto inicial, Ressurgimento (Prêmio Açorianos - Poesia 2006), Tempos Frágeis (contos - 2009).
 
“Mas é um gatilho, eles atiram as palavras e elas, as palavras, matam.
Elas podem conter trinitroglicerina. Por isso, cuidado com elas!”
(in: Gatilho nas palavras)
 
SMC - Escritora Marilice Costi, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos como surgiu seu gosto por trabalhos literários?

Marilice Costi - Escrevo desde menina. Iniciei com poesias. Tive excelentes professores de Português e Literatura. Li muito. Quando na Faculdade de Arquitetura, um professor me estimulou a enviar um de meus textos para um Concurso de Contos e tirei o primeiro lugar. Daí em diante foi continuar, fiz oficinas de escrita criativa... e segui.

 
SMC - Fale-nos sobre o seu romance “Gatilho nas palavras”? Como foi a escolha do Titulo? Em que perfil você se inspira para a construção dos personagens desta obra?

Marilice Costi - A escolha saiu naturalmente. Duas pessoas na internet tentando se comunicar e amar. Ela mais que ele. A dificuldade no relacionamento foi porque havia uma patologia, algo que é difícil de perceber à distância, mas que ao escrever percebi melhor. Esse texto pode auxiliar as pessoas, porque o seduzir e o afastar são típicos de doença mental, de homens que não se entregam para uma relação amorosa. Na internet também existem relacionamentos complicados. Além disso, ao escrever um texto, nós nos projetamos nele com nossos sentimentos e sensações. A mulher no livro também se enrola, querendo que o amor dê certo. Ele é uma pessoa que acredita em Darwin, argumenta tudo, desejando a poligamia. São muitas coisas que tornam a relação num gatilho, eles atiram palavras pela internet e elas, as palavras, podem matar. Elas podem conter trinitroglicerina. Por isso, cuidado com elas!

 
SMC - Marilice, conte-nos sobre o seu livro “Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais”, que tema você aborda?

Marilice Costi - O tema é a família que segue ao redor de um filho com deficiência mental/intelectual. Relata de modo literário como é difícil cuidar e como a família está desamparada. Questiona o sistema de saúde público e o sistema privado, o cuidado inadequado aos familiares e a vulnerabilidade dessas pessoas deficientes, quando utilizadas também para tráfico de drogas. Estou escrevendo a continuação desse livro e outro para cuidar de mães, as que são mais abandonadas (pelos maridos, pelos filhos, pelos amigos... pelos vizinhos, pela sociedade). Escrevi o livro como num jato, em três horas, após trocar o voo do meu avião numa viagem que fiz ao Rio de Janeiro.
 

SMC - De forma geral que mensagem você quer transmitir através de seus textos literários?

Marilice Costi - A humanidade está presente em todos os meus livros. Procuro escrever com o coração e sou sempre motivada por situações que me tocaram, sejam as minhas, como é o caso de Como controlar os lobos? , sejam as de outras pessoas com os demais livros – o de contos e o romance. A vida é complexa e as relações afetivas são importantes em qualquer momento, sejam elas de amor, de amizade ou de sofrimento. A vida é composta das duas, por isso sempre saio de um momento depressivo para o outro, a alegria, como é o caso de “Mulher Ponto Inicial” e “Ressurgimento”. Ganhei o Prêmio Açorianos 2006. Essa poesia foi largada em dois momentos apenas, foram dois dias, um poema cada dia, por necessidade minha. Tratei da dor da perda e do renascer, das trevas e da aurora num fluxo único, depois foi apenas trabalhar em trechos, que podem ser lidos individualmente, mas eles são um todo, uma continuidade. Tem a ver com minha história com uma calopsita, que morreu cheia de feridas, e que foi minha companheira de mesa de trabalho durante meses no meu mestrado.

 
SMC - Onde podemos comprar os seus livros?

Marilice Costi - Através do site www.ocuidador.com.br eles podem ser encontrados. Basta solicitar ali, onde também estão releases e opinião de leitores.
 
 
SMC -Quais os seus principais objetivos como escritora?
 
Marilice Costi - Escrevo porque é vital em mim, escrever é necessário e trabalho muito para deixar um livro pronto. Não estou preocupada com o mercado, estou preocupada em registrar minha aldeia. Gatilho nas palavras levou dois anos com muita revisão. Não mudaria uma vírgula.
Tempos Frágeis, contos, relata histórias desde a década de 70. Mostro ali a vulnerabilidade humana em períodos bem diferentes, com suspense ou tensão, o que é fundamental num conto. São temas e dores humanas que me tocaram profundamente.
 

SMC - Você, hoje ministra cursos, oficinas e palestras, que temas você aborda em seu trabalho?

Marilice Costi - Abordo e estimulo a criatividade especialmente. Considero a criatividade e a escrita coisas da alma e temos que ter delicadeza no trato com quem se expressa com a escrita. Tanto o escritor como o aluno, que é quem começa, são pessoas especiais e singulares. Não dá para tratá-los igualmente, é preciso que se descubram em suas diferenças. Aqui é que está a riqueza humana. Já cuidei com Arteterapia de muitas pessoas devido a bloqueios ocasionados em situações de aprendizagem em oficinas. Eu mesma sofri muito com algumas delas. Mas passei por cima e aprendi como não fazer. Considero a escrita algo que vem das profundezas da alma, tem a ver com nossa mãe, o início de nossa comunicação, a nossa linguagem lá no olhar e na voz. Respeito e cuidado com o texto do outro é fundamental! Além disso, a Literatura registra o espírito da sociedade. É preciso valorizar esse caminho permanente que ela tem e o quanto é importante na vida das pessoas.

 
SMC - Quem desejar contratá-la como deve fazer?
 
Marilice Costi – Por e-mail ou por telefone. Os contatos estão em nossos sites.

 
SMC - Conte-nos sobre seu trabalho com a Revista O CUIDADOR, quais os principais objetivos, quem pode participar?

 Marilice Costi - A revista O Cuidador é meu projeto de vida, um modo de cuidar coletivo, de levar a sabedoria do cuidado a todos os cantos, de registrar o valor do cuidador e informar cuidadores, que somos todos nós, e dar-lhe suporte para que possam cuidar de alguém.  Qualquer pessoa pode participar do projeto desde que seu texto esteja no foco do cuidado e autocuidado. Não importa a graduação, aliás, sempre procuramos dar “voz a quem não tem voz”.  Temos um conselho editorial que é muito sensível à expressividade das pessoas. A revista é de construção de vida, de registro da sabedoria do cuidado na coletividade. Já são 5anos e então fizemos uma edição comemorativa, quando me dei conta que foram mais de 200 pessoas que colaboraram com amor e deram o seu melhor. Mais informações podem ser encontradas em nosso site – O Projeto, assim como informações para adquiri-la parcelada ou à vista.

 
SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil?

Marilice Costi - O Mercado é muito complexo e oscila muito. O leitor é bombardeado por grandes editoras e também por muita coisa que não possui trabalho literário. Perdeu muito de sua capacidade crítica devido às escolas. O leitor raramente aposta em novo escritor. Busca sempre os nomes tradicionais no mercado. O bom é que existem projetos importantes como os que levam o autor em sala de aula. É preciso estimular a leitura, construir mais bibliotecas e aproximar o escritor dos leitores nas escolas. São ações fundamentais, que são de ação pública, de decisão política. O Governo em todas as instâncias tem um papel importante.

 
SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a escritora Marilice Costi. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Marilice Costi - Que escrevam sempre que puderem para registrar sentimentos e percepções. Escrever clareia os pensamentos, desenvolve o raciocínio lógico, causa alívio. E que leiam bons livros. Nossa saúde mental está muito dependente nesse movimento da leitura e da escrita. A humanidade está nessa possibilidade: a de nos reconhecermos na literatura do outro e na nossa.

 
Site e blog para contato com a escritora.
www.sanaarte.com.br
www.ocuidador.com.br
www.marilicecosti.blogspot.com
Porto Alegre/RS – e-mail: editora@ocuidador.com.br

Participe do projeto Divulga Escritor
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