texto abaixo do cabeçalho


24 de jul. de 2010

PRÊMIO AÇORIANOS - poesia

Composto por dois poemas distribuídos em 60 páginas, RESSURGIMENTO foi escrito quando morreu a calopsita da autora. Doente, a ave se erguia, quando a via passar. Logo após, sem forças nas patas, tombava. A ave fora sua companhia muitos meses, ao lado do computador, enquanto desenvolvia sua dissertação de mestrado. Resistente à morte, foi preciso sacrificá-la. Foi quando Sombras foi escrito. Semanas depois, a vida renasce em Aurora. Ambos poemas foram criados num fluxo contínuo.
A autora disponibiliza a maior parte do primeiro capítulo do livro RESSURGIMENTO, clique sobre o título da postagem e abra. Depois, leia em voz alta.
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18 de jul. de 2010

RESSURGIMENTO - Prêmio Açorianos 2006

Em 2005, a Academia Literária Feminina do RS brindou com o livro de sua Coleção Sempre Viva, o volume 3. De acabamento primoroso e delicado,
traz RESSURGIMENTO da poetisa e escritora, arquiteta e arteterapeuta Marilice Costi, que também é responsável pela criação gráfica.

Tendo como analogia, a vida e morte de uma calopsita, RESSURGIMENTO demonstra a trajetória entre sentimentos opostos: Sombras, etapa do sofrimento e Aurora, quando a poeta nasce como a luz cada manhã. De profundo humanismo, dominando a técnica da forma, da melodia e do lugar incomum, a autora instiga rompendo paradigmas. Morre-se e renasce-se no decorrer do poema. Marilice toca “nas feridas” e diz “abre-te sésamo”, sobreviveu “entre minas” e tem consciência de que abriu caminhos, pois foi “parte de um tempo rompidor”. Ela retorna à alegria da infância onde os amigos foram feitos, onde a felicidade pode ser encontrada e sustentada até a última morte, inevitável.
“Sou hoje um outro livro”, demonstrando um processo de maturação, o que é encontrado na sua escrita repleta de metáforas inovadoras, de vocábulos incomuns, de ricas melodias.
A autora leva o leitor a identificar-se com o sentimento universal e poético, expresso em versos pulsantes, num movimento lírico-dramático. Num fluxo contínuo, imprime um ritmo agitado e sem pausa, como necessária isomorfia ao tema, recurso fenomenológico denominado noese por Husserl. A inclusão do feminino está na natureza partícipe de vida e morte, berço e túmulo, útero e colo.
Dedica o livro aos amigos, que considera a dimensão exata do seu alívio, citando outro poema seu do livro Clichês domésticos.
Solicite aqui: www.sanaarte.com.br/publicacoes

13 de jun. de 2010

FALTA POUCO

mais inchada a cada dia
o diâmetro do útero se amplia

uma esfera que se alonga
que se achata

que romperá



30/08/1987 – Para Guilherme nascido em 08/09/2007

11 de jun. de 2010

NÃO PERCA! Escrita terapêutica: lugar de encontrar - oficina de arteterapia


O PODER TERAPÊUTICO DA PALAVRA ESCRITA em relatos de experiência, vivências individuais e em grupo, exercícios e leituras para a compreensão da singularidade, autoconhecimento através de conto, poesia, crônica.
Local: Rua Santana, 666/504 - Porto Alegre / RS Fácil Acesso -
Investimento: 3 x R $ 250,00 - (R $ 700,00 à vista)
Início: 29 de maio - Sábado (12 Encontros - 40 h/aula)
Informações
(51) 30287667 - 96542097 - sanaarte@sanaarte.com.br

Oficinas de Escrita na Internet (MSN) adicione: mari_costi@hotmail.com
Marilice Costi CV ª Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8937478893624381
aos sábados, pela manhã.

10 de jun. de 2010

dos contos do vigário (1) - "Palhinha para você" do livro GATILHO NAS PALAVRAS

Ela tinha um conto: O tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem... Os tempos frágeis. Ali... o tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem! Um travalínguas, o trava-afeto. Metáfora daquele amor. A linha divisória na cama de casal. A escala 2 para 1. Territórios. Distância. Impedimento.
O tempo agora seguiria esmaecendo qual pedaço dentro dela? Desconstruir o amigo. Era doloroso apesar das tantas carapaças que ela tinha. O problema era a importância dele naquela história... No cuidar o coração, sucumbir em labirintos distantes, Alzheimer? O medo dele. Iria enterrar todos os amigos e morrer de tiro de marido traído. Deus me livre, dissera ela, eu não suportaria a solidão. Passarinhos, águas, águias, ninhos desfeitos, carros fúnebres. Tudo passa. Mas como viver sem as sábias palavras dos amigos, os nossos sabiás? 
Há terapeutas para pessoas que vivenciaram catástrofes para esquecerem aquilo e sofrerem menos. Amores doentios são catastróficos. Daí que esquecer pode ser bênção. Assim, raspar com escova de aço a memória daquele tempo, era a vontade dela naquele instante de saudade. Passar a borracha nas escritas grafadas em  cores intercaladas, na fonte 56 quando ele gritava, a caixa alta como marcadores (ou seria marcar dores?), a idade e teor  51. Tornar pó o que fora valoroso: os registros.
Mas o que haviam sido mesmo? Ela descobriu-se viciada nos emails dele. Intoxicada em dicionários de um amor bandido. E isto a definhava assim como os desaparecimentos e as esperas. As mulheres, fadadas a esperar. Destino feminino, vício masculino. Ela passava então a criar mais e mais escritas, porque lhe eram sempre lenimento. Como uma alcoólatra das letras, não poderia passar sem frases cutucantes do pensar. O instigar os neurônios ao som da chegada dele em sua caixa de entrada no Outlook. O adolescer e o brincar. Para ambos? Provocações sintéticas, a escrita masculina; enquanto a mulher se esparramava num mar de carinhos e cuidados com as tristezas dele. Pela internet, mandava perfumes pelo ar.
Quem disse que era só de sexo o que falavam? O lúdico, muito mais sedutor. Brincar com as palavras. Querer passar a vara no teu corpo violino, ele escrevera. Mas entre alvenarias, nenhuma travessia. No amor, apenas um.
Me cansas, dissera ele, entre o divertir-se e o irritar-se, sempre um ínfimo tempo. Reclamava do pouco sono dela, que não deveria ficar até tarde no computador, era frio no sul, devia dormir, descansar. E outras tantas coisas miúdas de cuidados entremeadas nas queixas que foram aumentando.
Por causa dele, o in sana mudara a grafia. Antes: ela era saudável por dentro. Depois, demente. De mentes inquietas. Seletas? O cuidador de uma insana.
Viver, o grande exercício de liberdade e contenção. Entre um e outro, o desequilíbrio no traçar caminhos? Novos. De novo. Um continente sobre trilhos? Não mais pendurados nas mesmas videiras, nos plátanos podados, nos flamboyants floridos, e observar com alegria os mesmos lambrequins. A paineira exuberante, dissera, é você. E ela acreditara. Ele nunca a chamara de meu amor, muito menos de minha querida. Agora, a tristeza dela a escorrer pelas linhas das mãos miúdas que seguiam se medicando no decorrer da noite. 

Seguiriam aprendizes de suas estações?
Lembrou do medo dele de ser reconhecido nos escritos dela.

Mas duro mesmo foi quando essa mulher com corpo de menina reconheceu-se personagem dele. Ele, o escritor.


*
Marilice Costi é escritora, arteterapeuta, CEO do Cuidaqui.com . Entre suas publicações, o livro Gatilho nas Palavras, romance, 2012.

6 de jun. de 2010

DAS POSSIBILIDADES

Mexer em nossas histórias. Buscar forças para mudar? Temos lá alegrias que dão energia. Raízes que nos sustentam. Sonhos impossíveis, utopias que acreditamos.
Estimular novos neurônios e sacudir os que estão adormecidos fazem bem. A memória, a criação, a contação de uma história. No compartilhar com os outros, a possibilidade de mudar o ponto de vista. Reinventar.
Somos o que conseguimos lembrar? O que conseguimos reconstruir apesar de. Porque não são todas as nossas lembranças que são boas. As ruins, se as aproveitarmos, podem nos fazer crescer.
As mudanças, quando as queremos, podem se sustentar em nossas histórias de vida. Mas é preciso coragem para olhá-las, pois só assim poderemos lhes dar um novo lugar. Porque somos capazes de construir novos cenários.
*
Marilice Costi

21 de mai. de 2010

ESCRITA PERCEPTIVA - um lugar de encontrar

Não perca!

OFICINA DE ARTETERAPIA


O PODER TERAPÊUTICO DA PALAVRA ESCRITA em relatos de experiência, vivências individuais e em grupo, exercícios e leituras para a compreensão da singularidade, autoconhecimento através de conto, poesia, crônica.


Local: Rua Santana, 666/504 - Porto Alegre / RS Fácil Acesso - Bairro Farroupilha
Investimento: 3 x R $ 250,00 
Início: dezembro de 2016
Total: 40 horas/aula - 12 encontros

Reserve logo sua vaga!
(51) 996542097
sanaarte@sanaarte.com.br

Confira nosso trabalho na internet e em nossas redes sociais.

Marilice Costi CV ª Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8937478893624381

20 de mai. de 2010

O TEMPO de viver E DE IR

A questão do tempo: como medimos, como vivemos e como ele passa num sopro. Parece que foi ontem: eu caminhava na minha rua, grávida – não sabia o sexo – e conversava como se ele fosse um menino, o meu caçula. Meu pai morreu sem conhecer esse neto. E parece que foi ontem que sentei no seu colo, porque ainda sinto o cheiro de sua pele, o calor do seu abraço, sou capaz de reconhecer a sua voz, ver o seu olhar de aprovação e de desconforto.
O tempo - entre aquele momento, em que me questionei sobre o que eu estaria fazendo quando aquele bebê fosse um homem, onde eu andaria, o que teria construído, como pensaria e o hoje - parece um fio longo, vez ou outra enosado, que se juntou a outros.  Uma voz que encontrou sentido. Um risco no papel: onde a palavra vida ali está inscrita sobre tantas outras. Tantas coisas feitas. Tantas escritas.
Aquele sopro, aquele momento continua em mim... como estarei daqui a outros 22 anos? O que será de minha geografia?

*Marilce Costi

9 de mai. de 2010

I.R.

você ficou de ir embora
e eu te comendo com os olhos
entre papéis de imposto de renda
e as minhas rendas

e me rendi na tua pele
em teu corpo língua corpo
em teu aperto peito aberto
ficaste, leão

* Do livro CLICHÊS DOMÉSTICOS, Marilice Costi, Ed.Movimento, 1993.

30 de abr. de 2010

DAR ESPAÇO AO NOVO É ARTETERAPÊUTICO

Proporcionar encontros para romper barreiras, reconhecer sentimentos que fazem empacar, dar um espaço para o lúdico... Parece complicado? Mas é como rir e coçar... basta começar! Dar tempo para as relações humanas, enriquece e no compartilhar com os demais, novas portas se abrem. Há tantos caminhos a seguir que podemos ficar confusos. Uma coisa de cada vez.
A sala pode ter um novo nome? Que tal sala para o encontro e a criação? Dar lugar para a criatividade é iniciar um movimento, que também é cerebral.
A idéia pode ocorrer aos poucos. Encheu o próprio “winchester”? Está provado que uma noite do sono ajuda a organizar e o sonho pode trazer soluções.
Mas é preciso coragem para romper paradigmas. É preciso querer compreender os sentimentos que circulam em nós e nos outros, universais: mágoa, raiva, a inveja, medo, prazer, tesão, alegria, amor. E mesmo assim, percebermos a singularidade. Acredite nas diferenças, ali está o belo.
Os seres humanos são criativos em potencial. Deixar de lado a visão pessoal e o olhar de superiores, é fácil? Estamos repletos de imagens de pais, religiosos, professores, parentes: limitadores a impor idéias e comportamentos. Limites são importantes, mas não podem ser bloqueadores da criação.
Liberar sentimentos faz com que se penetre também no coletivo: o movimento não é só em mim. Deixar a idéia criativa fluir é permitir-se coser uma bela colcha de retalhos – a vida não é feita de pequenos fragmentos? Faça com isto, seu novo design.
Para criar, gastamos energias que dão bem-estar. São as endorfinas a fazerem seu papel. E até tiram a dor! Descarregar tensões alavanca o processo criativo, porque esvazia o que antes era ocupado por sentimentos desorganizados. Espaço vazio, potência renovada. Idéias, trocas, leituras e incubação... é caminho para fiat lux!
*
Imagem do Frigorífico Z.D.Costi & Cia. Ltda. - acesso ao escritório - 2000 - arte gráfica Marilice Costi

16 de abr. de 2010

DOS HOMENS "NÃO ENCRENCA"

Fui olhar o link da psicóloga que lista os tipos de homem que são 'encrenca': os sarados, os superiores, os narcisistas... Pensei se, em meus caminhos, algum dos enganos de amor me encaixasse ali.
Faltam na lista os homens que se bastam, que acham que são capazes de se bastarem. Não existe ninguém capaz de se bastar. O ser humano é coletivo per si. Dar colo e receber colo faz parte da riqueza da vida. Das humanidades.
Há outras encrencas que ela não cita... Os homens que só tem disponibilidade para namorar se não for no final de semana. Desconfie. Eles já estão ocupados com outra.
Os que não são capazes de compartilhar sua dor e de aceitar o cuidado de alguém... (a solidão nem sempre é boa companheira)  e que preferem a mesa de um bar a se mostrarem frágeis para uma mulher. Talvez nem saibam se cuidar. Talvez não saibam cuidar de alguém. O bastar-se pode ter a ver com o sentir-se diminuido diante de fracassos. Mas não deveria dar a sensação de menos-valia. Isto é coisa da sociedade doente que vivemos. Que o sucesso e o poder valem mais que os vínculos de afeto. E nem todos os fracasssos são por falta de empenho pessoal.
Homens que trocam sua mulher pela sua mãe? A falta de partilha, a falta de diálogo. A falta de cumplicidade? Ninguém deve competir com a mãe dele. Ela é surreal, está num patamar inalcansável. Por isso, observar como ele se relaciona com ela é fundamental. Ele tem que ter perdoado as falhas que ela cometeu, tem que entendê-la como um ser humano, tem que saber dar limites quando ela invade sua vida, tem que ter uma relação de respeito e de aprendizagem no convívio com ela, ser ponte entre sua mulher e ela, nunca um precipício. Não se importar com coisas miúdas. Ter confiança. Amor de mãe é eterno porque filhos são para sempre. A isso se pode chamar maturidade.
E há outros mais: os que gritam coisas parecendo que atrás de nós, mulheres, há um gigante. E só temos a sombra. Talvez não queiram a nossa sombra. Talvez eles briguem com a nossa sombra. Ou não queiram ver a sua.
Homens que não são encrenca? Pois é, estou indo contra uma matéria que recém saiu na O CUIDADOR. Raízes do cuidado.
Cuidado com o movimento de mostrar sempre os defeitos. Por que não se escreve sobre o valor deles? O dos homens "não encrenca"?
Mea culpa. Prometo escrever sobre isso.

Marilice Costi
Agradeço o artista plástico Dilamar Santos pelo link. Valeu!

12 de abr. de 2010

Oficina para profissionais: O PODER TERAPÊUTICO DA PALAVRA

Objetivo: desenvolver potenciais e compreender o poder da palavra no processo terapêutico. Relatos de experiência. A literatura disparadora. Experiências pessoais na escrita e na construção da literatura.

Publico alvo: arteterapeutas, arteeducadores, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos.

Início: maio - doze encontros. Dia e hora a confirmar.

Reservas mediante inscrição e matrícula: 51 30287667

13 de mar. de 2010

GÊNIO INDOMÁVEL

"Não sabes de perda, porque ela só ocorre quando se ama algo mais que a si próprio."

"Ela peidava dormindo e às vezes ela se acordava. Coisas maravilhosas e boas como esta: é disso que sinto mais falta. As pequenas idiossincrasias que só eu conhecia. Era o que a fazia minha mulher. Ela conhecia todos os meus pecadilhos. Chamam isto de imperfeição. Mas não. São as coisas boas."

"Nós escolhemos quem deixamos entrar nas nossas vidas."

"A questão é se vocês são perfeitos um para o outro. Este é o segredo. Isto é intimidade. Você pode saber muita coisa mas só vai descobrir tentando.”


do filme: Gênio Indomável - Good Will Hunting

Um desejo? Um cofre? Uma chave?

Para cativar é preciso surpreender com coisas que são aparentemente banais: uma flor roubada, um bilhete inesperado, um abraço caloroso, qualquer gesto de partilha. O quebrar rotinas. Dançar sem pressa por instantes num momento e num lugar qualquer. O tocar cúmplice na perna por debaixo da mesa. O olhar? De ternura. O de desejo? O sinal de tempo de preparo.
O corpo de ambos? Sacrário conectado com o próprio interior. As rugas? Marcas de história. Alisar almas. Tanto que o mundo exige de juventude e beleza!

As alegrias mesmo pequenas compartilhar para vibrar em uníssono.

A proteção. O observar e cuidar do outro. Dar confiança. Dificuldades? Os desafios! O aprendizado comum. A segurança que só o amor legítimo é capaz.

Um homem não tem que ser fortaleza o tempo inteiro. Nem a mulher. Viver humanidades para ser útil um ao outro.

A sensação de pertença? Não o exagero, porque viver o tempo todo dentro do outro é adoecedor. Mas o respeito à necessidade singular de território. O espaço afetivo e o físico. Não é simples, mas possível.

Os amigos? A partilha. A vida em comunidade. O apoio quando a solidão ocorrer.

Caráter e ética? Justiça nos julgamentos. A verdade no perdão.
Não magoar propositadamente, cobranças são dolorosas. Falar, explicar, exercitar a paciência, acolher. A complacência com os demais.

O toque? A mão na testa febril. O copo de água na hora da sede. O pão. As mãos dadas ao caminhar pelas calçadas. A mão na coxa. A mão na bunda. A mão na vida.

O olhar futuros? O seguir na mesma direção. Nos momentos de desespero? A escuta, o apoio e a fé para recomeçar.

Para amar, é preciso conhecer valores e defeitos, primeiro em si depois no outro. E estar inteiro dentro da própria casinha, primeiro.

E brincar. Muito. Rir das trapalhadas cotidianas, dos tropeços, das falas insanas.

Os limites respeitados. A franqueza. O diálogo. A voz. A empatia. A alteridade. A comunhão. O colo. Masculino também.

Muita coisa? Para ter a chave de alguém, é preciso sair também de si.

4 de fev. de 2010

SERES-PRESENÇA

acolhem


rotos tocos feridos

apontam

brotos, sinais, partidas

adubam ao pé do ouvido

com olhar, voz ou escrita

equilibram interiores

e dão colo



amigos repartem pão de vida

15 de jan. de 2010

DO POETAR

Ao se fazer poesia
filtra-se o ar, move-se o amar
onde o circular humano
move-se como o mar

Ao se fazer poesia
alimenta-se a vida
onde os amores insanos
não devem guardar lugar

Ao se fazer poesia
ergue-se sobre as ruínas
a agonia e a calma
dando alma ao falar

Ao se fazer poesia
pode-se rir ou chorar
há direito a rebolar
ao descobrir novo olhar

28 de nov. de 2009

Seeeentiiiido!

O aposto, após sujeitos postos
na boca, no ouvido.

O rir sem poder rir.
Nem ir. Nem vir.

Vida em travessuras cotidianas
noturno aproximar sentir

esfregas em coxas insanas
ritmo e parceria, sutis, conter


Volátil volver na noite
tal vinho sem stop aroma.


Contas em alta? a champagne
em lábios enganos do viver

o tempo. Picollo.
Sempre.

Copos a mais ou a menos
água com bolinhas
vazios a preencher

Quartos ao lado, sonos

distantes sonhos devir
porta fechada. Aberta?
desejos sem travessia


As letras. Na arte unem saber.

Caminhada em corpo distante
próxima-mente, se as mentes
transpassadas, trespassadas
almas seguissem em frente.

Cidade alegre do sol
grama e céu, prateado
Guaíba doido que dorme
cúmplice. O nadar ao nada.

O sorriso, a partilha, a mala
cruzados olhares e acesas
as velas na sala em oração
o desejo poderia?


Castanhos no verde - verdes no castanho
Uma valsa de Strauss? Ou rock.

On the rocks.

Escondido prazer solitário. Prokofiev.

Vivaldi? adormeceu no conto de fadas.

O beijo na boca, na boca, na boca?


Sem poder, a mordida no pescoço
foi o gerânio roubado
de trinta anos de perfume
de abraços suspensos em beirados

tal e qual lambrequins
menos falsos, menos falsos
aqueles eram originais?

Sob carvalhos lilases tapetes
há tempo devir
?
Sentidos afetos de muito
olhar a mesa posta

o comer-se pelo ar
há sabor?

Erros... O muito envelopado.
Aquela cena. Pena. Desatenta
ela, territórios a conter e a esvaziar
complexa mulher que se quer comum
e ainda ter que ser de Atenas!

Morada prenhe de antenas
e cuidados. A falta de.
O abandono.

Ele envidraçado.
Ela. Na corda bamba.

No proibido sentir,
o ser de si. Em si e por si.
Singular

apenas um.*


Marilice Costi - 2009

13 de out. de 2009


TEMPOS FRÁGEIS

Marilice Costi mostra a nova etapa de uma escritora que vinha se dedicando à poesia e ao ensaio. A autora reinventa a realidade e vai além das aparências. Expõe, às vezes com real crueza, a inquieta vocação da literatura, que não é a apresentação de soluções, mas um inventário de questionamentos. Várias de suas histórias apresentam personagens em situações-limite.
Há quem acredite numa literatura feminina. Talvez, independente de autor ou da autora, o que há é uma sensibilidade aguda; esta sim pode ter um olhar, um viés, uma percepção peculiar que parece também caracterizar a poesia, as crônicas e, aqui, os seus contos.
Suas histórias revelam-se convincentes, contundentes e permanecem além da leitura. E possuem uma força de verossimilhança que só escritores ligados umbilicalmente à nossa aventura cotidiana parecem atingir. (Fernando Neubarth)

O Prefácio é de Deonisio da Silva e, nas abas, o parecer de Jane Tutikian.

MARILICE COSTI é passofundense. Vive em Porto Alegre desde a década de 70. Arquiteta e urbanista, é Mestre em Arquitetura, Especialista em Arteterapia, escritora e poetisa. Ministra oficinas de escrita desde 1996. Editora e capista de O cuidador (a revista dos cuidadores) e também do livro de contos. Recebeu o Prêmio Açorianos 2006 com Ressurgimento. É autora de: A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares(2001) e Como controlar os lobos?(2002). Mulher, ponto inicial, Clichês domésticos com o selo da Movimento. www.sanaarte.com.br

21 de set. de 2009

SÍSIFO

(você encontra este mito na revista O CUIDADOR 7)

montanha que se avoluma
a minha revelia
meu fardo

carrego sementes
sem plantá-las

carrego música
mas todos estão surdos

carrego cores
e não há papel

carrego crias
que não vivem sem mel
sem um conto de reis
sem contos
e um monte de papéis

sou rastros de longa estrada
de gastos coturnos
e permanentes pesadelos noturnos

é cobra e borboleta
é corte e costura
é fogo e terra

outro Everest me chama!
quando serás colina?

carrego pedra e húmus
um mágico torto
o sacro perdido
e noites em claro
de perpétuo labor
entre detritos

o sino não toca
os galos não cantam
e a luz vomita

meu codinome
é retransformado mito
no dia-a-dia
corroídas entranhas
e olhos arregalados

Sísifo nunca dorme
e gasta sapatos
como eu

28 de jul. de 2009

PASSA TEMPO

compasso de espera

compasso de espera

compasso de espera

com qual passo?

passará?

*

Marilice Costi

30 de mai. de 2009

É VERO!

Um de meus filhos está sempre saudoso. Amoroso e ingenuo. Tem pernas longas mas seu andar é menino. Esse filho sempre tem saudade mesmo estando bem perto. Deve ser porque ele tem um amor enorme que, não cabendo dentro dele, preenche-o tanto que gera desconforto. Assim como um balão muito cheio prestes a estourar.
Palavras podem ser faróis quando iluminam caminhos de compreender a quem amamos. Por isto a importância daquele emêil do centro do Estado do RS, com a frase: Saudade é um amor que fica!

30/05/2009 - Marilice Costi

4 de mai. de 2009

REGISTRE A PRÓPRIA ALELUIA

Marilice Costi

O prazer nas palavras? Significados. Reconhecer-se ao redesenhar o próprio interior?

A palavra deveria brotar sempre em castelos de areia e de pedra. Um cavar até encontrar fluidez.

Novelos a querer movimento, fios de linha a enovelarem-se e a desatarem nós.

Com o tempo, agarrar o abecedário pelos fios e olhar-se no espelho. Senza paura.

A escrita vira produto? Outra história. Um trabalhão?

Quase sempre as luzes acendem.

*

29 de mar. de 2009

SOBRE OFICINAS: TRANSGREDIR A ALMA


A oficina de escrita é um ambiente de troca de informações num movimento cognitivo e afetivo. O reconhecer-se, o aprender a técnica: forma, enxugamento, clareza, fluidez, concisão. É onde se descobre a própria singularidade.
Se para a comunicação são necessários emissores e receptores, em oficinas é preciso afeto. Não apenas entre as pessoas mas, especialmente, com a língua-mãe: a que nos dá o sentimento de pertencer a uma família, a um grupo social e a um país.
Despejar em uma folha de papel em branco é um ato de coragem. O início. Palavras sem nexo, complexas e sem clareza são comuns. O que o nosso cérebro permite registrar.
Sem medo, abrem-se portas para a criação.
Esse fato é maravilhoso e é preciso lhe dar o devido valor.
A pulsação, impulso criativo desorganizado, aos poucos, gera ordem mental.
Depois é a costura. Desligar-se da escrita no papel, aquele amado objeto, para mexer, riscar, tirar, colocar, subverter, enriquecer, modificar, melhorar, esclarecer. A limpeza textual apaziguará as emoções desordenadas. É quando mestre e aluno comungam na mesma direção. A escolha do aprendiz e o direito à expressão.

Para o ofício do escrever, é preciso amorosidade, especialmente com as palavras. Entupidoras de nossas mentes, dispostas sem ordem nem dicionário... e remexer no abecedário em busca do não-clichê.
Se ao balbuciarmos as primeiras palavras, estabelecemos o vínculo primevo e mais profundo, como podemos tratar a linguagem de forma dura e técnica, desconsiderando que, naquele movimento labial, houve o registro e início da nossa expressividade? O tesouro, a mente?Uma arca repleta de jóias.
A palavra precisa de colo e de elos. A técnica não pode machucar. Aprender percebendo motivos nas escolhas. Exigir técnica sem delicadeza, pode ocasionar sérios bloqueios nas pessoas. Por isto, ir devagar, descansando a mente ao deixar o texto dormir. Reler tempos depois. E não se exigir demais.

São muitas as pesquisas que vêm provando que o cérebro é reativado a cada estímulo criativo. Escrever, pintar, desenhar, esculpir, costurar, cozinhar, enfeitar um prato, mudar as coisas de lugar, experimentar. Enquanto capazes de se surpreender com vida, teremos saúde.

Regras engessam o processo. Dessa forma, não se voa para o fazer, mas para um “não fazer”. A palavra “não” traz um ranço preconceituoso, podador e autoritário. E isto também tem a ver com a poda que é feita durante a vida: a sociedade a moldar indivíduos.

A coragem de criar é o que possibilita a transgressão. E transgredir é fazer o novo sendo responsável por ele. Não é apenas um ato de revolta. Mas o sair do lugar comum é o que faz a diferença: cavar a liberdade, pois somos frutos de um tempo onde o sensível precisa rasgar espaço para sobreviver.
E cobrar disciplina? Impossível ser escritor sem o prazer de escrever. Quem escreve adquire a própria disciplina porque ama o que faz. Do contrário, é provação.


Morreria se não pudesse escrever? perguntou Rainier Maria Rilke. Se a resposta é afirmativa, és um escritor...Aquele que se enrosca em seu texto como um gato em um novelo. Sobra um "rolo" que lava a alma, palavras escovadas jorram confissão. Escrever penetrando na alma universal e singular, viver as polaridades e as sintetizar. Cúmplice ou narrador onisciente, a técnica se incorpora na tecitura do próprio escrever.
Daí, o voo passa a ser cúmplice dos amigos, dos revisores, dos editores.
Voo de asa delta.

A arte é o pôr-se-em-obra da verdade.

Martin Heidegger

MUTATIS MUTANTIS

Minha escrita é mutável. Processo criativo raramente pronto.
No decorrer dos dias, poderei lavar os textos ou mudarei o curso do rio,
encontrarei porto para a semântica,
versos alinhavarão tempos de ser tudo ou nada.
Bendita informática a permitir reconstruções.
Por isto, o publicado aqui poderá "alegrar" frequentes mutações.
Escrever, reescrever, avaliar, refazer, apagar, modificar, clarear, remover.
Até chegar ao ponto de bala.
O último será melhor, mesmo sentido um primeiro,
mais maduro ser.


Marilice Costi - POA, 15/09/2008

E VALE A PENA?

APENAS UM poema de acasos/de casos/de ocasos/de ocos/de socos/de cacas/de cocos/de sacos/de sacas/de sacar as cacas/as escaras/raras panquecas recheadas de muquecas/cuecas e munhecas/de petecas/de sonecas/de bonecas/de nenecas/de araras/de taras/de caras/de ecas. Hecatombes.
Um apenas. Poema de ocaso oco e raso.
Um caso de dor.

FÊMEA SUL-AMERICANA

transgressora menina
que não cala e embala
latino-americana
de mesma memória
de las Madres de Mayo
de filhos, de talhos
revolucionários

vive para o novo
em si, dentro e fora
hospeda na alma
aguerridas mulheres
homens de muitas pátrias

na marca dos dedos
perseguidas Anitas
todas digitais
fortes, carnais
compadecidas

mi sombrero es mi padre
desafiadora boina
o lenço é sangue
empreendedora

um porvir de colos a dar
onde os meninos?

no fundo do poço
vertentes
na teia do criar
sementes

Gaia, barro, argila
corpos a renascer
teto, caverna,matas,
pó de estrada

móvel morada de quimeras
de los defensores de la tierra
de los hombres de nueva mirada
de los espiritos del cielo y del mar,
del mar, de las viñas del amar

20 de fev. de 2009

CONSTRUÇÕES CRIATIVAS 1 - das palavras

Há palavras que não precisam ser ditas. Estão implícitas na voz, no gestual, na escrita. Outras, não devem ser ditas de tão gastas e sem sentido. A palavra amor parece que não deve ser pronunciada. Ela é exigente, precisa de tempo para ser construída entre dois seres, precisa de espaço de expansão de sentimentos dos mais variados tipos. Amar implica em permitir-se sentimentos ambíguos. E exige dedicação. Diferente da paixão avassaladora e com um fim determinado. A paixão não traz em si o ato de cuidar, mas o ato de conter, de prender, de consumir.O tempo de hoje faz com que as palavras ditas descuidadamente se tornem sem sentido. A palavra pode ser: acertos e combinações que ocorrerão, a expressão de um sentimento qualquer, os registros da vida, a literatura, os documentos, o trabalho, a bobagem, o lúdico, o importante no dizer sobre nossos afetos Se o hábito as deixou vazias, carecendo de sentido, há que encontrar seu rumo. Na distância, sobrevivem compondo colagem, tatuagem, aromas e memórias. Elas se perdem num sopro? As permanentes palavras são a linguagem que se torna impermanente se relacionada ao tempo de nosso viver. O hoje que deixou de ser, o desejo que ficou no ar, o futuro que só nos cabe sonhar e projetar utopias.Palavras podem adquirir um brilho próprio. Aquecem a alma, amalgamam carinhos quando sua temperatura de cor ressalta o tom exato do aconchego, o ponto certo do cuidado, o ouvido atento na acolhida.Tais palavras? Quem não as deseja ouvir?Valem mais, se inesperadas? Ato falho ou intencional, quando o sentimento perpassa sem querer querendo: pulmão, diafragma, garganta, cordas vocais e saltita reverberando na testa, entre os olhos, como se fosse apenas um simples acorde em ré menor, a voz. Pode ser um monossílabo da soprano no coral da Canção da Alegria de Beethoven ou da ópera Carmem, de Bizet. A musicalidade em sentimentos de amorosos instintos está no sentido de poder. de transpor limites e compor desejos.É quando os aromas, retidos nas histórias vividas, se apropriam do ser e fluídos ocupam seu lugar. É quando o corpo se umedece em natural preparo para o tocar e o ser tocado, no vir a ser de almas que se fundem, em novo devir. Muitas palavras não ditas tomam formas nas entranhas. A guiarem movimentos de viver. Bem viver. Alegria de viver. Saber das palavras que de tão benditas nem precisam ser ditas. Faz bem ouvi-las. Se o tom de voz contiver ternura, elas estarão todas ali, prontas para serem de ambos, pertença e prazer de conviver.

Marilice Costi - 20/09/2009

26 de jul. de 2008

SEGREDOS TECIDAS PELES

Marilice Costi

Camada de tinta, superfície das alvenarias, acabamentos pétreos, cerâmicos ou de madeira, detalhes nos rendilhados a emoldurar beirados. Tecido renda, grega, prenda.
O tecido urdido, tramado, trançado, tingido, lavado, alisado, amassado, dobrado, guardado, exposto, escondido, contém cheiros de peles gravados, comprometidos interiores alinhados em funções vitrine ou caverna.
Tecido pele, trama, drama, grama, pijama. Tecido cama e tecido dama, tecido clama prazer e extertor.
Impermeabilização? Tecido sem sentidos. Tecido cortado, rasgado, marcado a fogo, tatuado, costurado, colado em frágil painel. Tecido imagem, gobelein, roupagem, carruagem a conter corpos tecidos demais anormais.
O tecido cobre o que sustenta peso. Indefesa camada nobre, que encobre o imberbe amor que repele alma e que provoca dor. O tecido que muito protege é o mesmo que expõe ferida.
O tecido que amarra, que provoca tara, que escancara amor. O tecido menarca, que no gado fez marca, escrava.
O tecido recebe qualquer carga: a cor monarca, de papa, de cardeais. A cor da fome que tecido tem?
Tecer palavras em tecidos idos e vindos, tempos de registros em livros, cartas, manuscritos, virtuais escritos, passados gritos, tecidos cerebrais. Tecido esconderijo de suores, de clamores, de amálgamas, de umbigos, de enxovais, de pratas polidas, de cristais, de vinhos e de amores.
O tecido está em todos os ais. Está em mantilhas nos mortais. Tecido também mortalha. Cobre o santo e o canalha.
O tecido faz a forma e a deforma. Constrói e desconstrói. Faz vir e ver, faz ir e se perder. Faz renascer. Acompanha o crescer. Enfeita o renascer.
Tecidos necessários, proteção do vir-a-ser, também o são na morte, fim do tecer o próprio tecido tecida vida.

*

19 de jul. de 2008

DOS LUGARES AFINS

Marilice Costi
fachada máscara armadilha bordel labirinto
baús mansões adega solário pátios armários
coberturas escondem masmorras?
todo mundo no fundo um porão

corredores escuros sobrado porta janela
pode alçapões para o céu

livre tramela aos amigos
no térreo calor há espera
cálices a guardar vinho
no carinho posta a mesa

mas só casa com outra casa
gerânios com lambrequins
se ge(r)minarem um sótão

daí, que pode o delírio

13 de jul. de 2008

VIGILANTE

Marilice Costi

o olho da águia
(se) assusta e atrapalha
o posto sentinela
que imprime carga
e pulsa o coração
para desafogar a alma
mas não exprime
aquilo que precisa
a calma

o olho da águia
vê os cumes e não pára
vê a ânsia e reluta
mesmo assim se espraia
não silencia
a voz que amplia
e é portuária

o olho da águia
desce ao lago, procura pérolas
onde estão as ostras lacradas
o bico da águia é gasto
as garras enfraquecidas
tem unhas que se rasgam

o olho da águia
ainda aprende, ainda alisa
as penas compondo asas
e sobe ao infinito
onde a luz do sol é tanta
que ciente de Ícaro
se encolhe e encanta

o olho da águia
só às vezes, dorme.


Publicado na PRESENÇA LITERÁRIA 2007 - Academia Literária Feminina do RS

8 de mar. de 2008

às mulheres de mi vida

Marilice Costi
08/03/2008 - 01:00 h
Magros corpos escorridos ou redondos seios de acolhida, ouvidos moucos ou atentos de colo, bocas grandes ou pequenas de afagos, olhos de muitas ou poucas verdades, interestelares fios de afeto e celulares, muitas em uma só, uma só em muitas, são todas e únicas, comuns e singulares, meus pares de hormônios, terapeutas e irmãs, mães, mestras, junto todas numa só, e és tu, a mais próxima, e és ela, a mais distante, aquela que nunca mais, aquela imenso vazio, aquela que foi-se, a outra que danou-se, minhas colegas do dia, minhas filhas, minhas alunas, minhas especiais, todas fenomenais.
E somos todas Gaia, polaridades da mente inquieta e da mente sem ou a precisar de meta, Robertas, Neusas, Renatas, Melinas, Marinas, Carolinas, Karinas, Margaridas, queridas, Eloísas, Alices, Elbenices, matizes, Analices, Analúcias, Lúcias, astúcias, Terezas, Jeanetes, Rosanes, Elisabetes, Lisianes,Taises, Clarices, peraltices, Gessis, Fátimas, Janes, Lilianas, Irenes, Gabrielas, Francieles, Mirians, Izabéis, Marias, Beatrizes, Celis, Dulces, Denises, Ednéias, colméias, Margas, Margaretes, Ingrids, Lenas, Helenas, Marias, Gladis, Carlas, Lianas, Domingas, Neivas, Cristinas, Ângelas, Sônias, Sissis, Taimaras, Silvanas, Lilianas, Joanas, Lias, Maras, Glacires, Lurdes, Renatas, regatas, Martas, Suzéis, pincéis, Mônicas, Aldinas, serpentinas, Suzetes, Deisis, croquetes, Silvias, Selenes, Suzanas, cabanas, Graças, Joanas, as manas, Clarices, Angélicas, Julietas, violetas, Beatrizes, Delis, Glacis, Yasmins, Janices, festins, Valescas, Vivianes, Juçaras, Veras, Elviras, quimeras, Simones, Adrianas, Janainas, Agdas, Bárbaras, Berenices, Telmas, Joelmas, Rejanes, Marianes, Luizas, Giseles, Vitórias, Micheles, Rosanas, Dominiques, Marilus, Clarindas, as dindas, Giselas, Carmelas, Cláudias, Anas, Marianas, Neumas e Léos, chapéus, Odetes, Normas, Natálias, crisálidas, Marisas, Sandras, Francilenes, Marlenes, Tenizas, Hildas, Eloás, Nenas, Morganas, Reginas, Raquéis, Rosas, chorosas, Zilás, Zairés, cafés.
Multicores, todas em uma, vir-a-ser viés de lunas, as Antonias, Amélias, Aldas, todas meus amálgamas.

Todas rimas com meninas: com ventre, serpente, vertente, carente, doente, potente, coerente, poente, dormente. Trens, chás, trilhos, que carregam meninos. Doutoras, parteiras, benzedeiras, cantoras.
E todas sois sóis e estrelas, cadentes e valentes, pó, argila, chuva e terra; firmes no firmamento, estrelas Dalva, estrelas da manhã, Yansã ou verdes orvalhos ou garças gaivotas ou pombas águias.
Estas mulheres de minha vida são água e fogo, terra e vento. Luz e lamento. Tormento e encanto. São o quanto sou de amianto, de manto, de acalanto.

Meta-morfeu-apoteosis-fênix

Cuidadoras de mi vida

mundaréu nimim.


Marilice Costi - publicado na revista O Cuidador